Oposição fecha acordo para governar Paquistão

Partidos que saíram vitoriosos nas eleições poderão colocar mais pressão sobre Musharraf.

Da BBC Brasil, BBC

21 Fevereiro 2008 | 17h10

Os dois principais partidos de oposição do Paquistão chegaram a um acordo para formar um governo de coalizão no país depois de terem obtido a maioria parlamentar nas eleições gerais de segunda-feira.O anúncio foi feito pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, chefe da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N), e por Asif Zardari, novo líder do Partido do Povo da Paquistão (PPP), em uma entrevista coletiva conjunta.Viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, Zardari assumiu a liderança do partido depois do seu assassinato, em dezembro."Vamos trabalhar juntos para formar o governo no centro e nas províncias", disse Sharif. Segundo o ex-premiê, os dois partidos chegaram a uma "agenda comum" e concordaram , por exemplo, que o chefe de Justiça do país, demitido pelo presidente Pervez Musharraf em novembro, deve ser recolocado no cargo.Zardari, por sua vez, disse que ainda há muito a ser discutido entre os dois partidos, mas que "em princípio" eles corcordam em ficar juntos.PressãoAnalistas avaliam que um governo formado pelos dois principais partidos de oposição poderá colocar pressão sobre Musharraf, que se recusa a deixar o cargo antes do fim do seu mandato, apesar da vitória da oposição nas urnas.Não se sabe quem ocuparia a posição de primeiro-ministro. Na quarta-feira, Zardari descartou a possibilidade de asumir o cargo.O partido PML-Q, que apóia Musharraf, e seus aliados de coalizão perderam a maioria que tinham no Parlamento. Segundo Zardari, nenhum deles será convidado para compor a nova coalizão de governo.Se Sharif e Zardari conseguirem juntar aliados que os ajudem a consolidar uma maioria de dois terços no Parlamento, poderão pedir o impeachment do presidente. Sozinhos, eles não têm essa maioiria, mas poderiam obtê-la por meio de articulações com partidos menores.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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