Oposição ignora veto policial e mantém protesto em Nairóbi

Candidato derrotado em eleição no Quênia pretende reunir 1 milhão nesta quinta.

BBC Brasil, BBC

03 de janeiro de 2008 | 03h50

Forças de segurança já cercaram o parque de Nairóbi onde o principal candidato de oposição do Quênia, Raila Odinga, pretende reunir nesta quinta-feira 1 milhão de pessoas em um protesto contra o resultado da eleição presidencial realizada na semana passada.O protesto foi proibido pela polícia, mas Odinga, que reclama de fraude na eleição, vencida pelo atual presidente, Mwai Kibaki, disse que vai realizar a manifestação de qualquer maneira.O candidato derrotado tem boicotado negociações com Kibaki para tentar pôr fim à onda de violência que se instalou no país desde a divulgação do resultado do pleito e que já deixou mais de 300 mortos em diversas cidades.Estima-se que, desde o último domingo, pelo menos 70 mil quenianos tiveram de deixar suas casas para fugir da violência.Mensagem de pazOdinga disse que a manifestação, programada para a manhã desta quinta-feira no parque Uhuru, na capital queniana, vai passar uma mensagem de paz.O chefe da campanha de Odinga, Salim Lone, disse à BBC que seu partido não está procurando problemas."Os olhos do mundo estarão em nós nesta manifestação. A cada lugar que Odinga vai, alguém lhe pergunta se ele vai realmente levar essa manifestação adiante", disse Lone.O governo, porém, insiste que o protesto seja cancelado e que Odinga reconheça a derrota no pleito."Por favor, não coloque em risco as vidas dos quenianos, incentivando uma multidão a vir a Nairóbi em um dia útil", disse a jornalistas o vice-presidente, Moody Awori, em um recado a Odinga.No início da semana, a polícia de choque já havia impedido que apoiadores de Odinga deixassem as favelas ao redor de Nairóbi em direção ao centro da capital.Troca de acusaçõesSegundo o correspondente da BBC em Nairóbi, Grant Ferret, ambos os lados vinham reforçando suas posição às vésperas da manifestação.Odinga, que pertence à etnia Luo, e Kibaki, que é do grupo étnico Kikuyu, acusam-se mutuamente de genocídio. Kibaki convocou todos os parlamentares eleitos no pleito do dia 27 de dezembro para uma reunião de emergência. Em vez de participar, os parlamentares do partido de Odinga convocaram uma coletiva de imprensa, na qual voltaram a exigir que Kibaki deixe o poder e assuma que foi derrotado nas urnas.De acordo com o correspondente da BBC, enquanto ambos os lados sobem o tom das acusações mútuas, diminui a esperança de uma mediação internacional para o conflito.A visita a Nairóbi de uma delegação da União Africana, liderada pelo presidente de Gana, John Kufuor, foi cancelada, conforme o correspondente da BBC.Kufuor deveria chegar à capital queniana nesta quinta-feira, mas na quarta-feira o ministro das Finanças do Quênia, Amos Kimunya, disse à BBC que a visita não iria mais ser realizada.Kimunya disse que a viagem foi cancelada porque não há necessidade de mediação internacional em uma questão interna.O comentário do ministro vai de encontro a declarações do gabinete de Kufuor, segundo o qual o próprio presidente Kibaki havia convidado a delegação.Em meio à crise, cresce a pressão internacional para que governo e oposição se unam para pôr fim aos confrontos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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