Oposição no Zimbábue decide juntar-se ao governo

O principal partido oposicionista do Zimbábue comprometeu-se a formar um governo de união com o presidente Robert Mugabe, anunciou nesta sexta-feira seu líder, Morgan Tsvangirai, pondo fim a um impasse paralisante que agravou a crise econômica no país. Tsvangirai fez o anúncio depois de uma reunião do conselho nacional do partido Movimento por Mudança Democrática (MDC). "Vamos entrar neste governo. Foi isso que o conselho decidiu", disse a jornalistas Tsvangirai, que deve tornar-se o novo primeiro-ministro. A decisão vai aumentar as chances do Zimbábue de recuperar-se do colapso econômico e de aliviar uma crise humanitária na qual mais de 60 mil pessoas contraíram cólera e mais de metade da população precisa de ajuda alimentícia. Os zimbabuanos anseiam por uma nova liderança capaz de reduzir a inflação, que é a mais alta no mundo, e a grave escassez de alimentos, combustíveis e divisas estrangeiras. Milhões de pessoas fugiram para países vizinhos para escapar do sofrimento, com isso onerando as economias regionais. A ajuda e a assistência financeira do Ocidente, vinculadas à criação de um governo democrático e de reformas econômicas, serão cruciais para resgatar um país que já foi um dos mais promissores da África. "Sem o apoio desses governos, o acordo enfrentará grandes dificuldade para realmente abrir o caminho para uma mudança para melhor na situação do Zimbábue", disse Mike Davies, especialista em Oriente Médio e África no grupo de análises de riscos Eurasia. Com a moeda local quase totalmente desvalorizada e a inflação mais alta do mundo, o governo anunciou na quinta-feira que deixará os zimbabuanos usarem moedas estrangeiras. A recuperação do Zimbábue pode depender de Tsvangirai conseguir cooperar com Mugabe, político que ocupa o poder desde 1980 e que vem desafiando sanções ocidentais e resistindo a chamados para que abandone o poder. "Acho que foi uma decisão inteligente e estratégica. Mas o MDC enfrentará desafios", disse o analista político Adam Habib, da Universidade de Johanesburgo. "O partido precisa assegurar-se de conseguir agir de maneira que lhe permita realizar o que pretende, e isso significa que terá que aprender a relacionar-se com Mugabe e as pessoas que o cercam", disse ele.

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