Oposição síria se une e pede ajuda global

Os principais grupos de oposição sírios se reuniram neste domingo para pedir que a comunidade internacional faça algo para proteger as pessoas do país que sofrem violenta repressão por conta das manifestações a favor da democracia.

SEDA SEZER, REUTERS

02 de outubro de 2011 | 17h35

Um comunicado divulgado em Instambul, em nome do recém-formado Conselho Nacional, rejeita intervenções estrangeiras que "comprometam a soberania síria", mas afirma que é obrigação humanitária do mundo proteger a população.

"O Conselho demanda que governos e organizações internacionais assumam as suas responsabilidades no apoio à população síria, que a protejam e interrompam os crimes e as violações de direitos humanos cometidos pelo regime atual ilegítimo", diz o comunicado.

O documento também pede que a Irmandade Muçulmana, a Declaração de Damasco, agrupamento onde estão políticos de oposição de renome, e movimentos sociais se juntaram ao Conselho Nacional.

Ao mesmo tempo que poucos esperam uma intervenção na Síria como a que foi realizada na Líbia, o comunicado é uma importante demonstração de unidade da oposição, que tem sido enfraquecida por disputas internas.

"O fato que islâmicos, lideranças laicas e ativistas de movimentos sociais estejam agora num conselho único é significativo", declarou um diplomata em Damasco, capital síria.

"Mas eles ainda têm que mostrar que podem preencher o vácuo político. Eles precisam de um plano de ação detalhado, para além das generalidades da defesa da democracia", acrescentou.

Segundo as Nações Unidas, 2,7 mil pessoas, incluindo cem crianças, foram mortos em seis meses de protestos contra o presidente Bashar al-Assad.

O presidente, de 46 anos, que herdou o poder do pai em 2000, acusa grupos armados, com o apoio de forças estrangeiras, pela violência. Autoridades sírias afirmam que 700 soldados e policiais foram mortos.

Segundo as autoridades do país, a organização da oposição fora da Síria é uma conspiração estrangeira.

A declaração de Istambul foi lida por Bourhan Ghalioun, um professor laico que vive na França. Ele estava cercado de políticos islâmicos, cristãos e curdos, além de um representante da Declaração de Damasco.

A França já manifestou apoio ao Conselho Nacional, que ainda, porém, não teve o aval dos Estados Unidos nem da Turquia, poderoso vizinho sírio.

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