Ordem de prisão faz Livni cancelar viagem

Mandado emitido em Londres causa mal-estar entre Grã-Bretanha e Israel

Reuters, Londres, O Estadao de S.Paulo

16 Dezembro 2009 | 00h00

Tzipi Livni, ex-ministra das Relações Exteriores de Israel, cancelou na noite de segunda-feira uma viagem que faria a Londres. Ela participaria de um evento da comunidade judaica no fim de semana, mas cancelou alegando "problemas de agenda". No entanto, a imprensa israelense informou que ela desistiu assim que soube que uma corte britânica havia emitido uma ordem de prisão contra ela.

O mandado foi concedido em razão de suspeitas do envolvimento de Livni em crimes de guerra durante a Operação Chumbo Fundido, ofensiva israelense na Faixa de Gaza, há um ano. Os ataques deixaram 1.400 mortos, na maioria mulheres e crianças.

Investigadores da ONU e organizações de defesa dos direitos humanos acusam Israel de crimes de guerra. Livni, que ocupava um cargo-chave no então governo do premiê Ehud Olmert, foi uma das protagonistas do conflito.

A ordem de captura foi emitida a pedido de uma organização pró-Palestina de Londres. No entanto, a Justiça suspendeu o mandado ao comprovar que Livni não chegaria ao país. Foi a primeira vez que um tribunal europeu pediu a prisão de um líder israelense por causa da operação. O caso criou um mal-estar entre os dois países.

Em 2005, uma corte britânica já havia pedido a prisão do general israelense Doron Almog por suspeitas de envolvimento na morte de civis palestinos em Gaza. Mas Almog foi alertado antes de desembarcar do avião, evitando a detenção.

Tel-Aviv condenou a ordem judicial. "Israel pede que a Grã-Bretanha impeça que elementos anti-israelenses usem o Judiciário britânico contra Israel", diz um comunicado do governo. O premiê Binyamin Netanyahu classificou o episódio de "absurdo" e disse que ele ameaça a posição da Grã-Bretanha como mediadora do conflito no Oriente Médio.

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