Ordem para ataque no Rio pode ter saído do PR, diz juiz

O juiz corregedor da Penitenciária Federal de Catanduvas, Nivaldo Brunoni, disse hoje que há "indícios" de que as ordens para as ações violentas dos últimos dias no Rio de Janeiro podem ter partido do presídio paranaense. No local estão detidos, entre outros, dois importantes líderes da facção Comando Vermelho: Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor.

EVANDRO FADEL, Agência Estado

24 de novembro de 2010 | 18h06

Segundo Brunoni, no dia 15 de outubro, a mulher de outro preso foi detida quando tentava entrar no presídio com duas cartas em que traficantes do Rio pediam, em uma, autorização para "receber a bala" as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e, na outra, para agir em represália a um integrante do grupo AfroReggae, que organiza atividades socioculturais em favelas com o objetivo de retirar ou evitar que jovens se envolvam com o narcotráfico. "As cartas não chegaram porque a mulher foi detida na revista", disse o corregedor.

No entanto, Brunoni acentuou que, por mais que haja revistas ou que as conversas entre presos e advogados sejam gravadas, "sempre tem uma brecha, uma possibilidade de comando". Conforme ele, as visitas a detidos do Rio, a partir de agora, passarão a ser feitas preventivamente no parlatório, onde poderão ser gravadas. "É o máximo que se pode fazer."

No entanto, ainda restará a possibilidade de ordens serem passadas nos encontros íntimos, sobre os quais não pode haver qualquer vigilância, inclusive se os presos estiverem enquadrados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), o mais rigoroso. "Nós não temos notícia de que as ordens saíram de lá, a inteligência do presídio não detectou nada, mas também não podemos dizer que não saiu de lá", afirmou. "Em razão dessas cartas, há indícios de que podem ter partido de lá."

Brunoni disse que para ele também é uma surpresa que ordens como essa possam sair de dentro de penitenciárias consideradas de segurança máxima. "É impressionante como não se quebra o vínculo", acentuou. Já houve, inclusive, situações de flagrante de advogados que agiam como mensageiros.

Brunoni será o responsável por analisar o pedido de transferência de oito presos para Catanduvas, que deve ser feito pela Justiça Estadual do Rio de Janeiro. "Quem decide é a Justiça Federal", destacou.

Transferência

Ele disse ainda que Marcinho VP deve ser transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). "É uma coincidência, mas já estávamos analisando isso, agora vai só acelerar." Segundo ele, é "salutar" que haja um rodízio e o preso não permaneça mais de dois anos em cada penitenciária. Alguns detentos do Rio e do Espírito Santo já estão há quatro anos no Paraná.

O juiz corregedor também confirmou que o diretor da Penitenciária de Catanduvas, delegado da Polícia Federal (PF) Fabiano Bordignon, está deixando o cargo após quase dois anos no posto. Segundo ele, a saída não tem nenhuma relação com as possíveis ordens de violência partidas do presídio, mas é uma vontade do próprio delegado.

Além disso, há uma prática de que os diretores ficam geralmente por dois anos, como medida de segurança. "Para nós é uma pena que ele esteja saindo, porque fez uma administração fantástica, com competência, dinamismo e bastante rígida", disse Brunoni. Bordignon não foi encontrado pela reportagem.

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