Órgão da Unifesp apoia câmpus em Guarulhos

Após críticas, Conselho de Assuntos Estudantis aprova moção de permanência na cidade

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h08

O Conselho de Assuntos Estudantis (CAE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aprovou ontem uma moção pela permanência da instituição no Bairro dos Pimentas, em Guarulhos. A manifestação veio depois que um grupo de professores entregou um dossiê à reitoria defendendo a saída da Unifesp do local, como o Estado revelou. Docentes que defendem a saída da Unifesp da cidade afirmam que a moção atropela o debate que está em curso sobre o tema.

No dossiê, professores afirmam que o câmpus é isolado geográfica e culturalmente, além de não acrescentar nada ao carente Bairro dos Pimentas. A má localização prejudicaria as pretensões de excelência e integração dos cursos e colaboraria para os altos índices de abandono e baixo nível dos ingressantes.

A moção aprovada ontem refuta esses argumentos. Defende que a cidade tem todas as condições de ter um câmpus da Unifesp no Bairro dos Pimentas e as dificuldades não são decorrentes da sua localização. O CAE é um dos cinco conselhos das universidade e tem 43 representantes do corpo docente, técnico e de alunos de todos os câmpus.

"O bairro lutou pela universidade e o processo de melhorias estava progredindo. Esse dossiê foi inoportuno", afirmou o presidente do CAE e pró-reitor de Assuntos Estudantis, Luiz Leduíno de Salles Neto. O pró-reitor ressaltou o processo avançado para desapropriar um terreno onde deve ser construída a moradia estudantil. Além disso, está certa a criação de uma linha de ônibus direta entre o Metrô Itaquera e o câmpus.

O câmpus Guarulhos tem cerca de 3 mil alunos. Desde a inauguração, em 2007, há queixas de falta de infraestrutura e dificuldade de acesso.

Apoio. Apesar das inúmeras manifestações contra as condições, a entrega do dossiê foi a primeira oficial pela saída da Unifesp do bairro. A medida intensificou uma queda de braço entre grupos favoráveis e contrários à ideia. Ambos dizem que têm apoio da maioria dos professores.

Favorável à permanência, o professor Marcos Cezar de Freitas, diretor acadêmico da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) - nome oficial da Unifesp Guarulhos -, afirma que a universidade ganha muito com o bairro. "Ela já está enraizada. E o que fazer com o dinheiro gasto com a viabilização do câmpus?", questiona.

O diretor lembra que a USP e a Unicamp também instalaram câmpus mais tradicionais em locais distantes de equipamentos culturais. E isso não as isolou. "Não estamos em um deserto, mas em lugar onde vivem 300 mil pessoas. E na periferia, só a universidade pública pode chegar. Não faz sentido expandi-la para os centros."

Para o professor Juvenal Savian, um dos que encabeçam a saída de Guarulhos, a moção foi precipitada. "Amanhã (hoje) temos a reunião que oficializará o debate sobre o tema, a partir do qual chegaremos a uma definição." O início dessa discussão em uma comissão foi aprovado pelos professores na semana passada. "A universidade tem de ser cosmopolita. Pode estar na periferia, mas com espírito cosmopolita."

Savian acredita que algumas unidades do câmpus, como Filosofia e História da Arte, possam se mudar para São Paulo. Independentemente da expansão para o centro de Guarulhos, cujo processo já está em andamento.

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