Orlando Silva rebate acusações na Câmara e abre mão de sigilos

O ministro do Esporte, Orlando Silva, rebateu nesta terça-feira durante audiência na Câmara dos Deputados acusações de que coordenaria um esquema de desvio de recursos na pasta e disse que colocou à disposição de autoridades seus sigilos fiscal, bancário, telefônico e postal.

REUTERS

18 Outubro 2011 | 20h54

"Reafirmo que quando eu encaminhei o expediente pedindo a abertura de inquérito, abri voluntariamente meus sigilos fiscal, bancário, telefônico e de correspondência para que não paire dúvida", disse o ministro a deputados.

Após a denúncia, publicada na edição do último fim de semana da revista Veja, o ministro pediu à Procuradoria Geral da República e à Polícia Federal que apurassem as acusações.

Durante a audiência com os deputados, Silva voltou a negar as denúncias, feitas pelo policial militar João Dias Ferreira, a quem chamou de "desqualificado".

Ele também recebeu manifestação do líder do governo na Casa, Cândido Vaccarezza (PT-SP), de que teria a confiança da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Vaccarezza, a atitude do ministro de prestar explicações, se dispondo inclusive a comparecer em audiências públicas no Congresso, recebeu elogios da presidente.

"A presidenta Dilma confia no ministro Orlando Silva, elogia e concorda com a postura que o ministro teve de ir à Câmara e ao Senado e ir à Controladoria Geral da União para dar todas as explicações", disse o líder governista.

O ministro classificou como "gravíssimas" as acusações de que teria participado de um esquema de desvio de dinheiro repassado a organizações não-governamentais por meio de convênios feitos no âmbito do programa Segundo Tempo.

O suposto esquema envolveria quadros do PCdoB, partido de Silva.

Para o ministro, as denúncias serviriam como "cortina de fumaça" para acobertar processos que teriam sido abertos contra João Dias, que foi uma das cinco pessoas presas no ano passado numa operação da polícia de Brasília que investigou desvio de recursos destinados ao Segundo Tempo.

De acordo com o titular do Esporte, a pasta decidiu romper convênio com uma ONG dirigida por João Dias após o acordo não ser cumprido, e também pediu a devolução dos recursos enviados à entidade.

"Quem tem prova dos malfeitos feitos por ele (João Dias) sou eu, e estão aqui... Aqui estão as provas dos desvios de recursos, e são essas provas que nos fizeram exigir a devolução do recurso público", disse o ministro durante a audiência.

"É gravíssima a afirmação de que um ministro de Estado teria recebido dinheiro desviado", afirmou o ministro. "Mostrei minha indignação porque até agora nenhuma prova foi apontada."

A oposição no Congresso se reuniu mais cedo, nesta terça-feira, com o policial. O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), classificou as informações passadas por Ferreira como "estarrecedoras", e disse que elas tinham "precisão de detalhes".

Após o encontro, João Dias disse a jornalistas que tem provas das acusações que fez contra o ministério e o ministro. Questionado sobre essa declaração, Orlando Silva preferiu não comentar.

"Eu confesso que eu prefiro não ficar discutindo cada manifestação que faz essa pessoa", disse.

Os líderes da oposição querem aprovar um requerimento de convite a Ferreira para uma audiência pública em comissão da Câmara.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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