Alexandre Bronzatto/Divulgação
Alexandre Bronzatto/Divulgação

Os 3 cavaleiros do negronismo

Eles agem em Londres, São Paulo, Berlim... sempre atrás de negronis. Onde houver o drinque vermelho, a Squadra Negroni promete atacar

LUIZ HORTA, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 02h09

A Squadra Negroni está em missão. Mas, ao contrário das missões de 007, as da Squadra não nasceram de ordens: tiveram começo espontâneo, com o primeiro negroni dando origem à série um ano atrás. As missões estão "em meio" e sempre estarão, pois, não tendo finalidade, não têm fim (muito menos objetivo). Pensando bem, objetivo têm: beber negroni, o coquetel preparado com vermute, Campari e gim. E laranja. Ou sem laranja? Com mais vermute? Menos? Sem vermute, talvez. E se trocarmos o vermute italiano por um inglês de fundo de garagem? E se provarmos também o negroni feito nos bares de hotéis? Deu para entender?

A Squadra Negroni é assim, como um jogo de tabuleiro em que, dependendo da ficha que você tira, tem que executar tarefas diferentes. Ela existe quando há duas coisas presentes no mesmo ambiente: um, dois ou todos os seus membros, que são os designers Marcello "Riga" Righini e Carlos Bêla e o advogado (sempre é bom ter um advogado em casos que envolvem bebida) Alexandre Bronzatto - e um copo do drinque que lhe dá nome. Nas missões pode haver convidados, mas pode acontecer só um embate solitário entre um membro e um negroni. A única regra é postar uma foto no Instagram e dizer onde o drinque foi bebido. Uma pequena avaliação pega bem, mas não há ranking, até porque qualquer um pode colaborar com sua foto e entrar na "avaliação" coletiva. No currículo da Squadra já tem negroni de Nova York, Belém do Pará, Rio, Berlim, Paris, Londres... Vai acabar um dia? Os idealizadores da brincadeira se entreolham: "Fim? Quando cansarmos de beber negroni. Acho que não vai acabar nunca".

O drinque está entrando na moda no mundo - ou nunca saiu de moda, mas ganhou um foco especial. É alcoólico, porém não demasiado. Tem a mistura certa de doce e amargo, é ótimo para antes e depois da comida. No balcão do D.O.M., enquanto o chefe de bar (também do Dalva e Dito) Jean Ponce mostrava seus deslumbrantes gelos redondos, o chef Alex Atala discorria animado: "Prefiro este com gelo de laranja, mas no final fica feminino demais. Talvez goste mais do gelo de negroni, mas ele não mantem a esfera perfeita até o fim". Jean ri, está acostumado a isso, o encantamento diante de suas criações. Assiste à indecisão do repórter, que com três copos na frente, gosta de um, depois do outro, depois do outro, sem conseguir se decidir. Conta que testaram dezenas, e nem estão perto de contentes. "Agora quero fazer com as três bolas de gelo, só que bem pequenas e juntas num só copo."

O Paladar acompanhou uma jornada de Squadra, e deu para notar que há variações notáveis pela cidade. O desequilíbrio mais comum é o excesso de vermute - o drinque perde a cor vermelho-campari e ganha um tom quase marrom. Fica amargo demais. E, onde tem um negronista, tem uma fórmula própria.

No Ici Bistrô, já provado o coquetel feito na casa, o chef Benny Novak chegou à mesa e perguntou: "Vocês estão tomando negroni? Posso fazer o meu?" Diante das cabecinhas em perfeita sincronia respondendo sim, como quatro bonecos alucinados, foi para o bar e trouxe copinhos pequenos, dose perfeita para o fim da refeição. Delicioso negroni. O segredo foi acrescentar Noilly Prat (aquele do dry martíni), numa proporção que não ficou muito clara, mas perto de 1/3 do drinque. Benny enrolou e não contou o segredo.

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