''Os bancos privados é que desaceleraram''

Entrevista - Demian Fiocca: presidente do Banco Nossa Caixa; executivo rechaça a ideia de que aumento da fatia dos bancos públicos no crédito se explique por excesso de arrojo

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2009 | 00h00

Em setembro, os bancos públicos continuaram aumentando a participação no crédito total do País. A fatia chegou a 40,6%, ante 40,4% em agosto. Os bancos privados nacionais ficaram estáveis, com 40,7%, e os privados estrangeiros voltaram a perder espaço - saíram de 18,9% dos empréstimos para 18,7%.Alguns analistas estão preocupados com o apetite das instituições controladas pelo governo. Temem que a torneira aberta de hoje signifique prejuízos pesados no futuro. O presidente do Banco Nossa Caixa, Demian Fiocca, nega que o movimento dos bancos públicos seja insustentável. Para ele, o crescimento dessas instituições no crédito total se explica pela parada dos bancos privados.

Esse movimento dos bancos públicos é sustentável?

Sim. A velocidade de crescimento do crédito no setor público é robusta, mas não é tão diferente da velocidade que o próprio setor privado mantinha até antes da crise, em setembro do ano passado. De janeiro de 2004 a setembro do ano passado, o crédito privado cresceu, em média, 27% ao ano. Entre setembro e meados deste ano, o crescimento do crédito privado cai para menos de 5%. O crédito público é o que mantém essa faixa de crescimento acima de 20%. Com os sinais de que a retomada da economia é muito boa, o conjunto dos bancos privados vai voltar a acelerar a oferta de crédito.

Apesar da queda nos últimos meses, o juro cobrado do cliente final no Brasil ainda é muito alto, se comparado à taxa básica.

A queda da Selic é elemento de peso para a construção de um cenário de condições melhores de crédito. Mas, olhando o desempenho dos cinco anos de crescimento que tivemos, vimos que havia enorme demanda por crédito. Quando a demanda for mais moderada - junto com a redução da Selic -, haverá espaço para a queda do juro ao consumidor.

Por quanto tempo é possível sustentar esse ritmo de crescimento do crédito na Nossa Caixa, que, em algumas linhas, supera 50%?

Bastante tempo, porque, em termos absolutos, a Nossa Caixa não é tão grande.

A inadimplência subiu?

Não, está baixa. A média caiu de 4,4% em março para 4% em junho. Ficou estável dois meses e voltou a cair agora.

O BB incorporará a Nossa Caixa no fim de novembro. Como vai ficar o banco?

O objetivo é que todas as mudanças sejam feitas de forma gradual, visando a preservar o negócio.

Fontes dizem que o sr. vai para a BBDTVM. Por quê?

Não comento nada a respeito de possibilidades futuras. Estou focado na Nossa Caixa.

Alguns críticos dizem que o sr. sempre tem emprego garantido no governo (já presidiu o BNDES e ocupou dois cargos no Ministério do Planejamento) por ser amigo do ministro Mantega.

Qualquer profissional vê positivamente ter o reconhecimento e a confiança das pessoas com quem trabalha. Fico satisfeito que quem trabalhou comigo confie em mim.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.