'Os brasileiros não sabem pedir direito'

Diz-se que o brasileiro não tem tradição de doar. Você concorda?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2012 | 02h05

Discordo. Não é uma questão cultural nem de falta de incentivo fiscal. Nos EUA não havia incentivo nos anos 1600 e os fazendeiros doavam legumes, ovos e terrenos. As pessoas doam por acreditar que é um ato nobre, que você está ajudando a comunidade, colaborando com o País.

E por qual razão o brasileiro doa pouco?

Porque não pedimos e, quando o fazemos, pedimos errado. Damos a impressão de que a pessoa está fazendo um favor, quando na verdade o tom deveria ser de que o ato é uma oportunidade de contribuir com a sociedade. Nos EUA, no primeiro dia de aula, o calouro já escuta: "Fulano, você está em uma das melhores universidades do mundo e sua responsabilidade é levá-la para frente". Depois de formado, a instituição não o esquece. Ela mantém contato, cria um vínculo perene. Isso, claro, faz com que esse aluno queira que seu filho estude na mesma instituição.

No Brasil, são raras as instituições que saibam o paradeiro de seus ex-alunos...

Vivemos em uma caverna de Platão. A instituição não sabe sua história. Isso tem de mudar. É preciso construir banco de dados com contato e trajetória profissional dos egressos e convidá-los para os eventos institucionais. Afinal, mesmo que inconscientemente, todos querem o melhor para sua universidade. Se ela está bem, isso agrega valor ao currículo.

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