Os dois Taleban e a Al-Qaeda têm diferenças fundamentais

ANÁLISE

SCOTT SHANE, THE NEW YORK TIMES, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2009 | 00h00

Enquanto planeja uma nova política para o Afeganistão, o presidente Barack Obama enfrenta um complexo desafio: dois governos ameaçados, no Afeganistão e no Paquistão, milicianos misturados com facções islâmicas e a Al-Qaeda, inimigo que trouxe os EUA à região, oito anos atrás.

No centro do emaranhado estão os dois movimentos do Taleban, afegão e paquistanês. Como semelhanças, eles têm a mesma ideologia e o predomínio da etnia pashtun, mas sua história, estrutura e objetivos são diferentes.

Compreender as diferenças e seu relacionamento com a Al-Qaeda é crucial para o entendimento do debate em curso na Casa Branca. Apesar de ambos os grupos ameaçarem os interesses americanos, o Taleban afegão é o principal inimigo, responsável por ataques diários contra os soldados americanos.

O maior temor de Washington é que, caso o Taleban afegão domine o país, os líderes da Al-Qaeda sejam convidados a voltar, deixando seus esconderijos no Paquistão. Apesar de os líderes dos dois grupos do Taleban afirmarem partilhar interesses comuns, os dois movimentos são distintos.

Na verdade, os recentes ataques do Taleban paquistanês contra Islamabad, anteriores à atual campanha do Exército paquistanês no Waziristão do Sul, podem ter provocado um desgaste no relacionamento com o Taleban afegão.

O Taleban afegão, grupo muito mais antigo, é liderado pelo mulá Mohamed Omar, que fundou o movimento, em 1994. Eles tentam recuperar o poder que tinham em território afegão antes de serem expulsos pelos EUA, em 2001.

Antes do 11 de Setembro, o Taleban afegão hospedou Osama bin Laden e os líderes da Al-Qaeda, mas estes grupos estão agora separados e sob pressão. Na internet, analistas detectaram tensões recentes entre a Al-Qaeda, que professa objetivos globais, e o Taleban afegão, que declara ter interesses só no Afeganistão.

O Taleban afegão é um movimento nacional autêntico que incorpora uma ampla rede de combatentes e um governo paralelo em muitas províncias. Já o Taleban paquistanês representa uma coalizão mais difusa, unida por sua antipatia pelo governo paquistanês.

Eles surgiram em 2007 como uma força liderada por Baitullah Mehsud, com o nome de Tehrik-i-Taliban Pakistan. Depois que Mehsud foi morto, em agosto, um membro da mesma tribo, Hakimullah Mehsud, assumiu o controle.

Para os EUA, o desafio no longo prazo é estabelecer medidas que afastem de ambas as forças do Taleban o maior número possível de militantes, isolando a Al-Qaeda e fortalecendo o governo afegão e paquistanês. Trata-se de uma tarefa dificílima.

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