Os perfis de Glupt!: Marco Pallanti

Um iconoclasta zela pelo classicismo de Chianti

29 Julho 2010 | 14h26

 
 Pallanti. Chefia do Consorzio do Chianti Classico depois de testar e ousar

Marco Pallanti tem uma história engraçada, embutida na garrafa da foto. Formou-se em Bordeaux, mas queria voltar para a Toscana natal. A região andava desvalorizada, com propriedades semiabandonadas. Uma família romana comprou o decaído Castello di Ama, mais para passar o verão que para fazer vinhos. Mesmo assim contratou o jovem enólogo. Ele se atreveu, plantou o que queria, de Riesling a Merlot, investigou. E acabou casado com a filha dos proprietários. Tudo isso foi comemorado agora com a tal garrafa. Ama 06 é sua safra de prata, 25 anos, e trás impressa no rótulo uma declaração de agradecimento à energética Lorenza Sebasti, sua mulher. "Ela fez tudo em segredo, relevo, rótulo; ainda bem que foi uma safra espetacular." Pallanti, algumas vezes enólogo do ano pelo Gambero Rosso, é mais que um renitente agricultor.

 

Além do Castello di Ama, produz Sangiovese de vinhedos únicos, como o Vignetto Bellavista e o mais famoso Merlot da Itália, o Vigna L’Apparita. "Tudo em poucos hectares, sou um ‘pedestrian winemaker’, faço tudo andando." De investigador do terroir, acabou por entender o que chama genius loci, o espírito do local, que protege como atual presidente do Consorzio. "Acho complicado tirar a Pinot da Borgonha. Aqui é igual: a expressão mais autêntica da Sangiovese, nós temos", afirma. "Não sou antitecnológico, quero chegar ao cerne da variedade. O paralelo é com a música. Quando Muti rege Beethoven, ele é Muti, nem Abbado, nem outro. Beethoven está lá presente. A uva é como a partitura; a técnica, como interpretá-la." Surpresa pela erudita metáfora? Parte da conversa com Pallanti é sobre arte. O casal encomenda anualmente uma obra para o Castello. A coleção tem Anish Kapoor, Michelangelo Pistolletto, Louise Bourgeois e uma dezena mais. Um renascentista florentino, esse Pallanti.

 

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