Os personagens do Chico jamais criaram problemas

Depoimento

JOSÉ BONIFÁCIO DE OLIVEIRA SOBRINHO, O Estado de S.Paulo

24 Março 2012 | 03h02

Conheci o Chico Anysio na Rádio Mayrink Veiga, no Rio, na década de 1950. Logo de cara fiquei impressionado pelo domínio que o Chico tinha da voz e pela facilidade para criar tipos caricatos, mas com características de pessoas reais. Cruzei com o Chico várias vezes, em diversas emissoras, e foi ele quem me indicou para a Direção do Telecentro da TV Tupi. Quando estávamos lá, ambos nos separamos das nossas mulheres e eu, o Chico e o Robertinho Silveira acabamos dividindo um apartamento no Leme. Era engraçado, pois, às vezes, tínhamos de esconder um do outro as namoradas que tínhamos para evitar fofocas.

Quando fui para a Globo, as primeiras pessoas que pensei em levar comigo foram o Chico e o Daniel Filho. Os tempos eram de vacas magras e não tínhamos orçamento. Esporadicamente, desde 1968, o Chico participava, mas foi em 1972 que se deu a vinda dele para a Rede Globo, quando saiu o Chacrinha. Liguei para o Chico, que estava em excursão, e avisei: 'Agora já tenho o dinheiro para trazer você'. Perguntei a ele se tinha uma estimativa de custo e ele me respondeu: 'Eu estava esperando isso. Faça o contrato, ponha o valor e me diga quando começo'.

Chico teve vários programas na Globo com mais de 200 personagens, mas o que eu mais gostei desse tempo foi o Chico de cara limpa no Fantástico fazendo os monólogos do Marcos César. Insuperável. Ele sempre discutiu comigo os seus programas e sempre dei a ele toda liberdade. Trabalhamos sempre num ambiente de confiança mútua. Os personagens do Chico, criados com inteligência e interpretados com perfeição e leveza, jamais criaram problemas para a Globo.

JOSÉ BONIFÁCIO DE OLIVEIRA SOBRINHO, BONI, EX-VICE-PRESIDENTE DE OPERAÇÕES DA GLOBO

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