Os preços administrados ajudam a conter a inflação?

Um exame dos índices de preços, ou, mais exatamente, do Índice de Preços ao  Consumidor Amplo (IPCA), leva a grandes surpresas quando se está analisando no longo e no curto prazos.

O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2011 | 07h20

O IBGE, responsável pela elaboração desse índice, traz dados desde o Plano Real, que realmente deu início ao controle da inflação. De julho de 1994 até o final de setembro deste ano, a inflação foi de 291,33%, com um mínimo de 1,65%, em 1998, e um máximo de 22,41%, em 1995, quando, graças ao Plano Real, foi possível fazer a inflação cair para 9,56% no ano seguinte.

Mas é interessante observar como evoluíram os preços desde julho de 1994 até o final de setembro.

Na realidade, registram-se neste período apenas duas quedas de preços: a de TVs, som e informática, com redução de 33,8%, consequência da inovação e de produtos importados; e a de frutas, com queda de 11,6%, que parece explicada, de um lado, pela demanda reduzida e, de outro, pela melhoria da produção e da comercialização.

Entre os maiores aumentos de preços encontramos os transportes públicos, com crescimento, no período, de 607,9%; e os combustíveis domésticos, com 807,4%, enquanto os combustíveis para veículos apresentam elevação de preços, no período, de 391,1%. A energia elétrica domiciliar aumentou 438,9%. O preço das comunicações sofreu elevação de 699,1%, completando o levantamento dos preços administrados.

Esses últimos dados mostram suficientemente que os preços administrados estão longe de comprovar que é eficiente a intervenção dos governos nos três níveis. Levam a pensar que os preços desses itens essenciais - que muitas vezes dependem de uma concessão do governo - estão ainda fixados num quadro que tem por base a hiperinflação do passado, e, provavelmente, são consequência de negociações mal-conduzidas.

Ao lado dos preços administrados, os maiores aumentos são registrados nos setores de serviços, para os quais não existe a concorrência das importações, e com alguns sendo fiscalizados pelo governo.

Os planos de saúde, por exemplo, apresentaram aumento de 451,4%, o que se completa com um crescimento de 392,2% nos serviços médicos e dentários. Os serviços pessoais tiveram elevação de preços, no período, de 494,2%.

A indústria contribuiu para maior estabilidade: os preços dos veículos aumentaram 151,3%; os dos eletrodomésticos, 149,8%. Mas, com a desindustrialização, é difícil imaginar que o setor possa continuar a contribuir.

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