Os riojanos que zelam pelo clássico

A família López de Heredia produz seus vinhos cult há mais de um século

Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2009 | 02h10

Julio César López de Heredia mora na torre da Tondonia, a mesma que aparece em todos os rótulos de seus vinhos. Isso, para quem venera os Riojas mais anacrônicos que existem, equivaleria a morar na Capela Sistina para um amante das artes. Ele conta o fato com enorme casualidade: nasceu e cresceu na propriedade, em Haro, no meio da Rioja Alta. É sua casa, não um local de peregrinação.

A moda dos vinhos potentes veio, alterou o panorama na região. Todas as bodegas lançaram vinos de expresión para agradar ao crítico americano Robert Parker. Os LdeHs (como são conhecidos pelos seguidores), não. Continuaram com os Tondonias e Bosconias de sempre. A moda dos petardos de uva está passando. E eles lá, firmes, vendo o público voltar a disputar seus vinhos elegantes.

E que não se pense que são antiquados: são apenas longevos, quase infinitos. Ainda estão à venda os brancos de 1957, mas temendo expor uma garrafa à longa viagem de avião, López trouxe na mala para o bate-papo com o réporter "apenas" um Gran Reserva 1964, o líquido dourado da foto ao lado, vivo e perfeito com 45 anos de idade...

A vinícola não tem nada de aço. Da colheita em caixas até a prolongada passagem por barricas, tudo é feito em madeira, carvalho usado. "Papai acha aço inoxidável muito feio", ironiza Julio César. Mas os LdeHs não são antimodernos. Chamaram a atrevida arquiteta desconstrutivista iraquiana Zaha Hadid para desenhar a sala de degustação, projeto que celebrou os 125 anos da empresa. Da janela de sua torre, Julio César contempla a arrojada estrutura. Os LdeHs estão no século 21. Vinhos importados pela Vinci

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