Otan não investigou mortes de civis na Líbia, diz Anistia

A Otan não investigou adequadamente as mortes de civis causadas por seus sete meses de bombardeio sobre a Líbia no ano passado, nem pagou indenizações pelas vítimas, disse a Anistia Internacional nesta segunda-feira.

MICHAEL HOLDEN, REUTERS

19 Março 2012 | 11h52

Ecoando críticas semelhantes feitas neste mês pela Rússia, a Anistia disse que muitos líbios que não estavam envolvidos na guerra civil acabaram sendo mortos ou feridos por bombardeios da Otan, e que apesar disso não houve uma investigação adequada.

Os bombardeios da aliança militar ocidental, autorizados pela ONU sob a justificativa de proteger populações civis, foram cruciais para que os rebeldes líbios derrubassem o regime de Muammar Gaddafi, numa sangrenta revolução que foi parte da chamada Primavera Árabe.

"As autoridades da Otan salientaram repetidamente seu compromisso de proteger os civis", disse nota assinada pela consultora da Anistia Donatella Rovera. "Eles não podem agora varrer para o lado a morte de vários civis, com alguma vaga declaração de pesar, sem investigar adequadamente esses incidentes letais."

A Anistia disse que era preciso investigar se alguma morte de civis resultou de violações do direito internacional, e que eventuais responsáveis por isso deveriam ser levados à Justiça.

BOMBARDEIOS

A Otan realizou cerca de 26 mil missões aéreas durante a ação militar, incluindo cerca de 9.600 bombardeios que destruíram 5.900 alvos, entre o final de março e o final de outubro do ano passado.

Investigadores do Conselho de Direitos Humanos da ONU concluíram neste mês que a Otan causou mortes de civis, mas tomou amplas precauções contra isso.

A Anistia admitiu que a Otan se empenhou em minimizar o risco de vítimas entre os civis, adotando bombardeios de precisão e alertando quais seriam os possíveis alvos.

Mas grupos de direitos humanos dizem que isso não exime a aliança de investigar e indenizar as mortes.

Sobreviventes e parentes de mortos nos bombardeios disseram à Anistia que nunca foram procurados pela Otan.

De acordo com a Anistia, a própria Otan documentou 55 casos de civis sendo mortos por bombardeios em Trípoli, Zlitan, Majer, Sirte e Brega, muitas vezes em casas particulares sem evidências claras de atividade militar. A contagem inclui pelo menos 16 mulheres e 14 crianças.

A Anistia citou ainda o caso de 34 pessoas - sendo 8 crianças - mortas em três bombardeios contra duas casas de Majer, sem que o motivo do ataque fosse explicado.

Na sua mais recente resposta à Anistia, a Otan disse que "lamenta profundamente qualquer dano" causado a civis por seus bombardeios, mas salientou que não possui mais mandato para realizar qualquer atividade na Líbia, incluindo a de investigação.

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