Otan prepara saída do Afeganistão em 2014

A Otan está pronta para começar a repassar a segurança às forças afegãs no próximo ano, com a meta de retirar a maior parte das tropas estrangeiras do Afeganistão até 2014, disseram líderes dos EUA nesta sexta-feira.

DAVID BRUNNSTROM E AXEL BUGGE, REUTERS

19 de novembro de 2010 | 12h25

Mas alguns representantes seniores da Otan e do Pentágono expressaram dúvidas quanto à possibilidade de ser cumprido o prazo de até 2014 para a entrega da segurança, na medida em que aumenta a ameaça dos insurgentes do Taliban ao fragilizado governo do Afeganistão.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse em Lisboa, antes de uma cúpula da Otan, que os Estados Unidos e a aliança militar ouviram o presidente afegão Hamid Karzai, que definiu a meta de 2014, e suas preocupações.

Karzai vai participar da cúpula e se reunirá com o presidente norte-americano, Barack Obama, no sábado, o segundo dia da cúpula da Otan na capital portuguesa.

"Reconhecemos e respeitamos a soberania do povo e do governo afegãos e estamos colaborando estreitamente", disse Hillary depois de conversar com o chanceler de Portugal.

"Vamos acordar amanhã o início de uma transição para a segurança afegã, começando no próximo ano, com a intenção e meta de entregar a segurança afegã ao governo e ao povo do Afeganistão em 2014. Ao mesmo tempo, haverá um engajamento contínuo de apoio civil", disse ela a repórteres.

Na cúpula de Lisboa, os líderes da Otan vão anunciar a estratégia de retirada do Afeganistão, esperando encerrar uma guerra que, para muitos, está indo mal para os EUA e seus aliados.

Os líderes também vão aprovar uma nova visão de 10 anos para a Otan, destacando a necessidade de a aliança de 28 países estar preparada para missões semelhantes no futuro, apesar dos reveses sofridos no Afeganistão.

Em um artigo de opinião e uma entrevista dada antes da cúpula, Obama disse que as tropas norte-americanas começarão a ser reduzidas a partir de julho de 2011 e reafirmou seu compromisso em buscar uma reconciliação com o Taliban, que combate o governo afegão e as tropas estrangeiras.

"A América e nossos aliados na Otan somos fortemente favoráveis a um processo que busque reintegrar à sociedade os membros do Taliban que concordem quanto a alguns pontos principais: terão que abrir mão da violência, romper seus laços com a Al Qaeda e concordar em obedecer a Constituição afegã", disse Obama ao jornal espanhol El País.

ESTRATÉGIA DA OTAN

Mas o representante civil sênior da Otan em Cabul, Mark Sedwill, disse esta semana que a segurança fraca em algumas áreas pode prorrogar o prazo de retirada e que o Afeganistão pode enfrentar níveis muito altos de violência.

O Pentágono disse na quinta que o prazo de 2014 representa "apenas uma aspiração" e pode não ser exequível em todo lugar.

A intervenção liderada pelos EUA no Afeganistão começou em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001, quando o Taliban, que então estava no governo, recusou-se a entregar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

A guerra, que já chegou ao décimo ano, virou uma dor de cabeça política para Obama. As mortes de estrangeiros atingiram níveis recordes.

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