Otan reluta sobre apoio aos EUA

Aliados temem custo político de enviar reforços ao Afeganistão

Eric Schmitt e Steven Erlanger, THE NEW YORK TIMES, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

Está difícil para os EUA convencerem seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a enviar mais 10 mil soldados para o Afeganistão. Apesar da pressão do presidente americano, Barack Obama, o bloco tem indicado que pretende enviar menos da metade do reforço pedido, temendo o custo interno da impopularidade da guerra no Afeganistão e as denúncias de corrupção no governo do presidente afegão, Hamid Karzai.

Depois de semanas analisando o assunto, Obama anunciará oficialmente num discurso, na terça-feira, quantos soldados a mais os EUA enviarão.

Na Grã-Bretanha, que prometeu enviar mais 500 soldados, o secretário da Defesa Bob Ainsworth disse que Obama está demorando muito para decidir sobre essa nova estratégia. Segundo pesquisas de opinião, 70% da população da Grã-Bretanha é a favor de uma retirada dos soldados, índice que dobrou nos últimos seis meses, já que o país conta com o maior número de soldados mortos - 97 somente este ano e 335 desde o início da guerra, em 2001.

Alemanha e França hesitam em comprometer novas tropas numa guerra que conta com tão pouco apoio popular. Holanda e Canadá já estão discutindo planos para uma retirada.

Além da questão dos reforços, há dúvidas sobre se alguns milhares de soldados estrangeiros e de países da Otan terão a mesma capacidade militar de uma força americana do mesmo porte. Alguns países poderão continuar impondo restrições sobre como suas forças devem ser usadas no front.

De acordo com assessores de Obama, a Casa Branca deve enviar mais 30 mil soldados, além dos 68 mil que já estão em solo afegão. E ele deve pedir aos aliados da Otan que cubram a diferença entre o número de soldados a mais que os EUA devem enviar e os 40 mil solicitados pelo general Stanley McChrystal para avançar com sua estratégia de contrainsurgência.

Os chanceleres da Otan estarão reunidos amanhã em Bruxelas para discutir a questão. Mas o envio de novos soldados só será debatido em detalhes depois da chamada "conferência para a coesão de forças", programada para o dia 7, também em Bruxelas.

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