Chico Siqueira/AE
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Otimismo nos parreirais chega ao comércio

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Chico Siqueira, Especial para O Estado

16 de setembro de 2009 | 01h31

O clima de otimismo na roça chegou à cidade. O comércio de Jales espera receber grande parte dos R$ 35 milhões que a colheita deve injetar na economia do município, especialmente com o comércio de implementos agrícolas, sobretudo de tratores especiais para cultivo de uvas e equipamentos de irrigação para os pomares. Conforme o livro Uvas rústicas de mesa, publicado após o 1º Simpósio Brasileiro de Uvas Rústicas, realizado em setembro de 2008 em Jales, as vendas de tratores aumentaram 212% entre 2006 e 2008. Já as vendas de caminhonetes para viticultores cresceu 30%, de um ano para outro.

"O nosso relatório interno informa que as vendas de tratores e implementos de irrigação devem subir 150% este ano, o que obrigou nossos fornecedores a criar dois turnos de produção para cumprir os prazos", diz o vendedor José Luiz Fação Júnior, da Jima, a maior revenda de sistemas de irrigação e implementos agrícolas do município. Segundo ele, além da maior remuneração, prazos de financiamento estendidos justificam o aumento das vendas.

 

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VINHOS TAMBÉM

A produção de uva deu tão certo em Jales que os produtores acabaram encontrando na fabricação de vinhos artesanais uma forma de complementar a renda. No Sítio Santo Antônio, Sebastião Santim e sua esposa, Neusa Santim, passaram a cultivar, além da niagara, em 2 hectares, mais meio hectare de variedades como moscato jundiaí, máximo, isabel, cabernet sauvignon e bordeaux, para fabricar vinhos artesanais.

Na colheita deste ano, 25% dos lucros serão obtidos com a venda do vinho, cuja produção saltou 70%. "No ano passado fabricamos 1.800 garrafas; este ano teremos uva para fabricar 3 mil garrafas", diz Sebastião Santim.

Parte do vinho será fabricada com uvas bordeaux, novidade na região. "Quando comentei que gostaria de plantar essa variedade, um técnico da Embrapa me disse que isso seria impossível. Hoje, vejo que não é verdade", diz Santim, enquanto observa as videiras carregadas, em 2 mil metros quadrados, próximas de sua casa, onde instalou uma adega e uma cantina. Cada garrafa é vendida diretamente ao consumidor por R$ 7.

"É um dinheiro que entra durante o ano todo e acaba ajudando muito nas despesas", diz. Detalhe: parte da uva usada na fabricação do vinho, que ocorre por seis meses durante o ano, sai de lotes de niagara que não possuem qualidade para mesa.

De acordo com Santim, a colheita deste ano deve lhe proporcionar um rendimento de 30% a 40% maior do que a do ano passado, quando pôde trocar de carro. "Consegui vender meu carro 1989 e comprar um zero-quilômetro. Este ano, pretendo comprar um lote na cidade para construir uma casa", diz, sorrindo.

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