Ousadia com alma antiga

Jovens chefs estão expandindo a fronteira gastronômica de Paris e abrindo seus pequenos bistrôs fora do centro. Essas casas da nova geração oferecem boa comida em menus de preço fixo a menos de 50 euros

Christine Muhlke, THE NEW YORK TIMES,

24 de junho de 2010 | 09h21

Com a abertura de locais fantásticos em bairros fora do centro, Paris lançou uma nova geração de restaurantes finos e informais - para conhecê-los, você vai precisar de um bom mapa de ruas e material sobre alguns percursos longos do metrô.

 

O movimento em prol das comidas de bistrô na última década rejuvenesceu o cenário com gente jovem bem treinada e amável, um novo grupo de chefs de menos de 40 anos interessados em definir a própria cozinha.

 

Afastando-se dos locais elegantes, em busca de lugares mais acessíveis, eles acabam renunciando à atmosfera, no prato e no salão, em favor de uma cozinha criativa a um preço que as pessoas podem pagar. Destacamos alguns desses novos bistrôs que servem bons menus de preço fixo por até 50.

 

 

LA GAZZETTA

O animado local em art déco, no 12º Arrondissement (atrás da Bastilha), serve pizzas e um menu com dois pratos a 16, no almoço. Mas o jantar é um outro planeta. O chef sueco de 39 anos, Petter Nilsson, vem conquistando prêmios com menus saborosíssimos desde que chegou, há três anos. Por 38, você tem direito a cinco pratos criativos; por 50, terá sete pratos, o que dá a sensação de se estar praticando um roubo culinário.

 

 

O menu muda semanalmente. Os experimentos de Nilsson com sabores frescos e combinações incongruentes também vêm acontecendo em restaurantes progressistas na Escandinávia, Espanha e Chicago. Mas esse seu posicionamento global tem um toque pessoal. O La Gazzetta oferece ao gourmet de orçamento limitado a oportunidade de correr mundo sem sair de Paris.

 

 

 

FRENCHIE

Quando inaugurou, em abril, no meio de lojas que vendem roupas por atacado no distrito Sentier, no 2º Arrondissement, o Frenchie foi saudado pelo seu menu acessível e uma cozinha corretíssima. O jovem chef Grégory Marchand passou a maior parte de sua carreira no exterior, trabalhando vários anos no Jamie Oliver’s 15, em Londres (onde seu apelido na cozinha era isso mesmo, ‘Frenchie’), e na Gramercy Tavern, em Nova York. Resultado, sua culinária fala várias línguas , gíria incluída.

 

 

O menu do Frenchie mostra bem as influências que o chef sofreu, como também seu gosto pelo agridoce. Bom exemplo de seu estilo de cozinha é a salada rústica de peras assadas caramelizadas, com bacon, nozes e um pecorino di fossa salgado, apresentada de maneira muito simples, como se estivesse numa cesta de jardim. Ou as fatias grossas de porco pururuca servidas sobre um purê de aipo, combinando com couve-de-bruxelas grelhada e sementes de mostarda salpicadas sobre o prato, com um toque de vinagre de xerez. Embora a cozinha do Frenchie pudesse estar no Brooklyn ou no East End de Londres, Grégory Marchand tem a vantagem de ter tido também um aprendizado básico francês que se revela nos menus aparentemente informais que oferece. Ele não é apenas o único cozinheiro da casa como também cuida das reservas, atende o telefone e lava os pratos da hora do almoço.

 

 

 

YAM'TCHA

O restaurante que a chef Adeline Grattard (foto), de 32 anos, abriu em março de 2009 já tem uma estrela Michelin. Instalado numa sala compacta de tijolo a distância de uma curta caminhada do Louvre no 1º Arrondissement, oferece degustação de almoço de cinco pratos a 45 (R$ 99), que se transforma no negócio do ano.

 

 

A chef trabalhou com Yanick Alléno e Pascal Barbot, da geração reinante dos grandes. Mas os dois anos que passou em Hong Kong com o marido chinês moldaram sua cozinha. Ela dominou a arte da wok e do vapor. Resultado: oferece uma culinária chinesa leve, elegante e criativa, em que o sotaque francês aparece apenas no prato de queijos e na carta de vinhos. Uma carta de chás, elaborada pelo marido da chef, Chan, propõe um chá para cada prato. Delicadeza e cozinha pessoal, a preços que você e seus amigos podem pagar.

 

 

 

L’ AGRUME

O chef Franck Marchesi-Grandi, que trabalhou com Alain Ducasse no Plaza Athénée, mereceu elogios da recente edição do Le Fooding, o contraponto do tradicional Guide Michelin. Ele trabalha numa cozinha aberta e a comida que manda para a mesa parece ter sido feita em casa para os amigos.

 

 

O salão, bem movimentado, reúne uma mistura agradável de pessoas em busca de uma boa cozinha e outras que moram por perto. Diante da qualidade e do preço barato, fiquei realmente encantada em descobrir este endereço. Você pode encontrar muitos restaurantes mais elegantes em Paris, mas talvez nenhum com essa agradável humildade.

 

 

ONDE FICA

 

La Gazzetta

29 rue du Cotte, 00/xx/33/1/ 4347-4705

 

Frenchie

5, rue du Nil,00/xx/33/1/4039-9619

 

Yam’tcha

4, rue Sauval, 00/xx/33/1/ 4026-0807

 

L’Agrume

14, rue des Fossés St-Marcel, 00/xx/33/1/4331-8648

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