Outras três linhas de produção de imunizantes têm pendências

Há problemas com as linhas contra hepatite B, tríplice bacteriana e soros hiperimunes

Karina Toledo, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h00

Além do suposto problema no fornecimento da vacina antirrábica, outras três linhas de produção de imunizantes do Instituto Butantã, ligado ao governo estadual, estão com pendências que impediram a revalidação do certificado de boas práticas de fabricação, segundo informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os problemas foram detectados na produção das vacinas contra hepatite B e tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche) e dos soros hiperimunes (contra picadas de animais peçonhentos). Excluindo a vacina da gripe, que é apenas formulada e envasada no Butantã, e a antirrábica, esses três produtos correspondem a toda a produção de soros e vacinas do instituto.

O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, afirmou ao Estado que as pendências encontradas não oferecem risco sanitário e, por isso, a fábrica continua em funcionamento. Ele não revela, no entanto, que pendências são essas.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual da Saúde afirmou apenas, por meio de nota, que não foram detectados problemas que comprometessem a produção. Disse também que o motivo que levou à não revalidação do certificado de boas práticas não tem relação com o atraso na entrega da vacina antirrábica.

Sobre o fato de a fábrica de vacinas contra a gripe continuar parada - apesar de ter sido mostrada em propaganda política do PSDB supostamente funcionando -, a nota da secretaria afirma que a planta está concluída e equipada e que "o processo de qualificação e validação da produção está em curso".

Em abril, o atraso na entrega da vacina contra a gripe causou o adiamento da campanha de imunização de idosos nas Regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Na época, o Butantã atribuiu a demora ao aumento da demanda de vacinas contra a gripe. Além da vacina sazonal, este ano o instituto ficou encarregado de fabricar 63 milhões de doses da vacina contra a gripe suína para o Ministério da Saúde. Depois, o instituto revelou que parte do lote da sazonal não havia sido aprovada.

Incêndio. Nos últimos anos, a produção de vacinas tem sido prioridade no instituto, o que deixou a pesquisa básica em segundo plano. O abandono do setor ficou evidente no incêndio ocorrido no mês passado no laboratório de répteis. O acidente destruiu toda a coleção de cobras do Butantã - a maior coleção do mundo de animais da região tropical, com 85 mil exemplares. Segundo a promotora Eliana Passarelli, que cuida do caso, foi descartada a hipótese de que uma sobrecarga de energia tenha sido a causa. "Agora aguardamos o laudo", disse.

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