Ovos: setor recupera preços

Preço pago ao produtor pela caixa com 30 dúzias alcançou R$ 54, [br]para um custo de produção de R$ 45

Luiz Gallo, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2008 | 02h41

Após dois anos difíceis para os produtores de ovos, 2008 mostra um ótimo cenário de recuperação de preços. De acordo com o coordenador da mesa diretora de assuntos técnicos de avicultura de postura e corte da Faesp, Yassuhiko Yamanaka, os produtores de Bastos (SP) estão vendendo a caixa com 30 dúzias de ovos por R$ 54, para um custo de produção de R$ 45, ou seja, com lucro líquido de R$ 9. Para se ter idéia, 2007 fechou com preço médio de R$ 38 a caixa e em 2006, o pior ano para os produtores, o preço foi de R$ 26,50.Yamanaka, que também coordena o Sindicato Rural de Bastos, responsável por 20% da produção brasileira de ovos, diz que 2006 foi um ano complicado. Não havia demanda para tantos ovos.A recuperação do setor se deu graças a uma adequação da produção em relação à demanda. Após várias reuniões, decidiu-se pela redução gradativa da produção. O resultado é que em 2007 produziram-se 67,3 milhões de caixas, ou 8% a menos do que em 2006.Nem os produtores esperavam alta tão expressiva, já a partir de fevereiro. Outros dois motivos contribuíram para um lucro maior: a antecipação da colheita de milho (que representa 65% da ração das aves) no Rio Grande do Sul para a última semana de janeiro baixou os custos de produção. "E o consumo, que aumenta na Quaresma, já se acelerou no Carnaval", diz Yamanaka.Para o diretor-executivo da Associação Paulista de Avicultura (APA), José Roberto Bottura, a adequação entre produção e demanda fez com que o produtor conseguisse preço mais justo e iniciasse uma recuperação. A queda programada na produção é comum no Canadá. Entre as medidas adotadas com esta finalidade, está a redução de 5% do nascimento dos pintinhos.Além disso, as aves foram mandadas mais cedo para abate e adotou-se o sistema de muda forçada, no qual o produtor reduz o fornecimento de ração para que as aves percam peso. Assim, fazem uma limpeza em seu organismo e voltam a produzir um mês depois, com mais qualidade. "Fizemos isso com lotes de 50 mil aves, que ficaram um mês sem produzir, o que colaborou muito no controle do mercado", conta Yamanaka.

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