Paciente espera até 6 horas por consulta em ama

Antes das 6 horas, a fila já começa a se formar do lado de fora da Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Vila Barbosa, no Limão, zona norte da capital. A unidade de saúde municipal só começa a funcionar às 7 horas, mas vários moradores da região, a maioria com sintomas de dengue, prefere chegar com antecedência para não esperar tanto por atendimento.

FABIANA CAMBRICOLI, Estadão Conteúdo

15 de março de 2015 | 09h37

Com o crescimento preocupante da doença na zona norte da cidade, os pacientes que buscam os serviços públicos de saúde da região estão enfrentando até seis horas de espera por uma consulta médica. Nos dois primeiros meses do ano, a cidade teve 1.833 casos confirmados de dengue, 200% a mais do que no mesmo período de 2014. A zona norte concentra 45% dos registros. O Limão tem a maior taxa de incidência da cidade - 130 casos por 100 mil habitantes - epidemia é acima de 300.

Anteontem, quem chegasse à AMA Vila Barbosa, além da espera pela consulta do clínico-geral, aguardava mais duas horas para poder fazer o exame de sangue capaz de confirmar o diagnóstico da doença.

"Acho que falta um pouco de estrutura. Deveria ter uma prioridade para os casos suspeitos de dengue. A gente mal aguenta ficar em pé por causa das dores no corpo e precisa esperar um dia inteiro para ser atendido", disse o funcionário público Aristides Souza dos Santos, de 44 anos, que procurou a AMA às 9 horas de sexta-feira e só conseguiu sair do local às 15h30, após passar por consulta e exame.

A lotação era tanta que dezenas de pacientes e acompanhantes aguardavam em pé o atendimento. A dona de casa Daiana da Silva, de 28 anos, e o marido, o negociante José Roberto Nogueira Vilela, de 33, se acomodaram no chão do corredor da AMA enquanto aguardavam o atendimento. "A dor e a fraqueza nas pernas são muito fortes. Como não tem cadeira, a gente preferiu sentar no chão", disse Daiana.

Com febre, dores em todo o corpo e náusea, os dois chegaram à unidade às 10 horas, mas foram atendidos somente às 16 horas. "O pior foi que, depois de tanta espera, a gente não conseguiu fazer o exame de sangue porque a coleta é encerrada às 16 horas. Pediram para voltarmos no dia seguinte", disse a dona de casa.

O casal já tinha procurado outra unidade de saúde da região. "Fomos primeiro à AMA do Jardim Damasceno, mas estava muito cheia e nos deram a dica para vir aqui, só que está tão lotada quanto a outra. E não para de chegar gente", disse ela.

Tendas emergenciais

Com a superlotação de algumas unidades da zona norte, a Secretaria Municipal da Saúde informou que vai implementar em algumas regiões postos auxiliares para atendimento aos pacientes, no mesmo modelo da tenda emergencial montada no Jaguaré no ano passado, na zona oeste, quando o distrito foi o mais afetado pela dengue.

A pasta não informou o número de postos auxiliares nem os locais onde eles ficarão, mas ressaltou que a abertura das estruturas será feita em breve, uma vez que o pico da doença ocorre em meados

de abril.

A secretaria informou também que a AMA Vila Barbosa está com seu quadro de médicos completo, com três clínicos e dois pediatras, e houve aumento de 9% na procura pelo serviço em fevereiro deste ano, em relação a 2014, "o que ocasionou um tempo maior de espera para os casos menos graves". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mais conteúdo sobre:
saúdeSão PauloAMAfilas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.