Pacientes viajam atrás de médico, mas voltam para casa

Em portaria de hospital universitário do Recife, servidores se revezam entre dominó, escala dos plantões e justificativa sobre a paralisação

ANGELA LACERDA, CORRESPONDENTE / RECIFE, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h08

A aposentada Maria do Carmo Batista Reis, de 83 anos, sofre com os joelhos, que arquearam e dificultam sua locomoção. Sem família, ela mora sozinha, em Jaboatão dos Guararapes, e ontem, depois de pegar dois ônibus, chegou ao Hospital das Clínicas (HC), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para uma consulta regular. Com dores para caminhar, fez o trajeto de volta sem ser atendida.

Samuel Felipe do Nascimento, de 69 anos, saiu por volta da meia-noite de Afogados da Ingazeira, no sertão, a 386 quilômetros do Recife, em um carro da prefeitura, com outros pacientes que foram se tratar na capital. Às 7 horas, chegou ao HC para uma consulta de acompanhamento de um tratamento renal. Ele tem cistos nos rins. Com uma mochila - "trouxe porque teve uma vez que a gente teve de dormir na cidade" -, ele aguardava, às 10h30, o carro da prefeitura que ia levá-lo de volta. "Acho que de tarde ele chega."

Nem Samuel nem Maria do Carmo sabiam da greve na UFPE. Acostumados com a precariedade do atendimento, não se queixaram. "Isso é assim mesmo", afirmou Maria do Carmo.

Na entrada da portaria 4 do hospital, servidores se revezavam entre o jogo de dominó, a escala de trabalho e a explicação sobre a greve para os pacientes desavisados. O HC da UFPE possui 1.631 servidores, dos quais 206 médicos.

A greve também afeta o Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes), conhecido como Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O Hupes realiza, em média, 22 mil atendimentos por mês, mas a marcação de consultas está suspensa até o fim da paralisação.

"Minha cunhada sofreu um AVC e está sem atendimento na cidade, por isso vim até aqui para tentar marcar", lamentou a comerciante Maria Elza Pereira Nunes, de 51 anos, de São Sebastião do Passé, a 60 quilômetros da capital. / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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