Pacto para reduzir gás lacrimogêneo será revisto, diz PM

O comandante da Polícia Militar (PM) do Rio, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, afirmou nesta quinta-feira que o pacto com entidades da sociedade civil para reduzir o uso de gás lacrimogêneo na contenção dos protestos será revisto. Depois da noite e madrugada de depredação na zona sul carioca, Costa Filho, demonstrando tensão, fez um desabafo na entrevista que deu ao lado do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e da chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha. Costa Filho disse que "a PM, boa ou ruim, é a que vocês e a sociedade têm e precisam" e revelou que há cinco anos a disciplina controle de distúrbios civis saiu do currículo da polícia.

WILSON TOSTA E MARCELO GOMES, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 20h18

"O Rio tem cultura de manifestação pacífica. Há dois anos, o Batalhão de Choque foi treinado pela polícia francesa. Essa semana, tive reunião na Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos com Anistia Internacional, Defensoria Pública, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Foi pactuado uma diminuição do uso de gás lacrimogêneo pela PM. Algumas entidades queriam que retirassem todas as armas não letais. Depois do que ocorreu ontem (17), vamos fazer reavaliação da forma de atuar", declarou.

Costa Filho criticou a falta de apoio da imprensa à corporação e disse que os jornalistas também têm responsabilidade com o que acontece. "Eles (manifestantes) ficam de frente para a polícia, esperando a reação. Na rua, manifestantes jogam até mijo e cospem na nossa cara. Nós também somos cidadãos. Estamos nas ruas para dar segurança a todos vocês, inclusive para a imprensa também. Nós não temos apoio dos senhores também, só críticas. Estamos com policiais feridos, mas esses direitos humanos não são para a polícia. Se a PM não estiver ali, é anarquia. Todos temos de ter responsabilidade. Não brinque com o que está acontecendo, não. Ninguém sabe o que está por trás, então a responsabilidade da mídia é grande. Vamos repensar também a mídia. O que está acontecendo é um jogo virtual e está todo mundo aí perdido. Nós não estamos perdidos, não. Como a polícia vai controlar uma turba sem munição não letal? As organizações têm que nos dizer o que vamos usar. Eu não posso botar a minha cara."

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