Padilha pede à indústria apoio a hábito saudável

Ministro da Saúde prefere lutar por consumo responsável de cerveja a restringir propaganda

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse ontem que, em vez de restringir a publicidade de cerveja, prefere uma aproximação com a indústria do setor para promover o consumo responsável. Da mesma maneira, afirmou querer a parceria da indústria alimentícia para reduzir sódio, gordura e açúcar nos alimentos e assim promover hábitos saudáveis.

A intenção de criar regras mais duras para combater o consumo de álcool era uma das propostas do início do governo Lula, na gestão do então ministro Humberto Costa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou a propor restrição no horário das propagandas de cerveja na TV, mas a proposta foi barrada pela Advocacia-Geral da União (AGU).

"A política fundamental é você ter parcerias para promover o hábito saudável. Esse é o mais efetivo resultado que pode existir. Não sou nem contra nem a favor da restrição da publicidade da cerveja. Sou contra a gente ficar anos e anos fazendo esse debate e, por conta disso, bloquear a promoção de hábitos saudáveis", afirmou o ministro durante visita a São Paulo.

Padilha diz que sua intenção é chamar os fabricantes para um diálogo e estabelecer metas e campanhas educativas e de consumo responsável. "A minha principal iniciativa é ganhar a indústria. Não quero ficar contra nem a favor de ninguém", disse.

Para Mariana Ferraz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), só reduzir a quantidade de sal, gordura e açúcar nos alimentos não é o suficiente para promover o consumo responsável.

"Esse é um primeiro passo do governo, mas ainda falta muito a ser resolvido. É preciso promover ações firmes, especialmente contra a publicidade, sobre a forma como a informação chega ao consumidor final", afirma.

Isso porque está parcialmente em vigor desde dezembro uma resolução da Anvisa que obriga a divulgação de alertas de saúde nas propagandas de alimentos e bebidas como refrigerantes, sucos e chás industrializados.

A resolução não trata da publicidade do álcool e, por enquanto, tem pouco efeito prático, já que as três maiores empresas do setor (a de alimentos, a de bebidas não alcoólicas e a de doces em geral) conseguiram liminar na Justiça e estão desobrigadas de cumprir as regras. Juntas, elas representam 75% do mercado.

O Estado procurou as associações que representam o setor, mas nenhuma delas respondeu até o fechamento desta edição.

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