Padre é encontrado assassinado dentro de casa em Maceió

Religioso estava desaparecido desde a última quinta-feira, quando participou de uma reunião do clero

Ricardo Rodrigues, da Agência Estado,

08 de novembro de 2009 | 13h45

O padre da Igreja CatólicaHidalberto Henrique Guimarães, 48 anos, foi encontrado morto, na noite do último sábado, dentro de sua casa, nas proximidades do Aeroclube em Maceió, na periferia da capital alagoana. O religioso estava desaparecido desde a última quinta-feira, quando participou de uma reunião do clero.

 

O corpo do padre Guimarães, que era pároco da cidade Murici, cidade natal do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), foi removido para o Instituto Médico Legal Estácio de Lima, onde foi submetido a exames e liberado para o sepultamento.

 

Segundo o arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz, que esteve no local do crime, o corpo do padre irá passar esse domingo sendo velado em Murici e na segunda-feira será trazido para a capital, onde será enterrado no Cemitério de São José, no bairro do Trapiche da Barra.

 

No local do crime também estiveram o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB); o secretário estadual de Defesa Social, Paulo Rubim; o diretor-geral da Polícia Civil de Alagoas, delegado Marcílio Barenco, o comandante da PM, coronel Dalmo Sena, e o prefeito de Murici, Renan Filho (PMDB). Para a polícia, o Guimarães pode ter sido vítima de um crime de vingança ou passional, já que está descartada a possibilidade de assalto.

 

Guimarães foi esfaqueado e espancado com pauladas na cabeça. Segundo as primeiras informações, na casa foram encontradas marcas de sangue na parede, no chão da sala e da cozinha. Os móveis também estavam revirados.

 

De acordo com Dom Muniz, o padre celebraria uma missa na cidade de Branquinha, na noite de sábado, mas não compareceu. Um afilhado do padre, de nome não revelado, ficou preocupado e se dirigiu até a residência da vítima à procura de informações. Chegando lá, esse afilhado chamou e não foi atendido, entrou no imóvel e avistou sangue e o corpo do padre morto no chão da cozinha.

 

Perícia

 

Os peritos do Instituto de Criminalística que estiveram no local do crime disseram que no corpo do padre Guimarães havia muitas perfurações, concentradas no peito e na barriga, além de escoriações na cabeça, coxa e braços. Os assassinos também teriam tentado decapitar o sacerdote. No chão da cozinha, os peritos encontraram vestígios de que o padre tentara se firmar, enquanto era puxado, e as marcas encontradas na parede seriam de suas mãos, pelas digitais colhidas.

 

A perícia também identificou no piso da casa marcas de pisadas de pelo menos outras duas pessoas, uma calçando sandálias e outra calçando tênis. Não há marcas de arrombamento no imóvel, tampouco de fuga pelo quintal. A porta da frente foi aberta e fechada com a chave que foi encontrada jogada na área externa, como se estivesse sido jogada pelos criminosos após deixarem o imóvel.

 

Os peritos também recolheram a faca do crime e um pedaço de pau sujo de sangue que pode ter sido usado no espancamento. Para os peritos, o crime deve ter ocorrido na sexta-feira e o padre estaria morto há menos de 24 horas. Sobre o forte odor no local, os profissionais explicaram que era consequência do grande volume de sangue existente.

 

Na cozinha da casa do padre assassinado, foram encontradas sacolas caracterizadas com a logomarca de um supermercado instalado nas proximidades e também a nota fiscal das compras, com data do dia 6 de novembro de 2009. Pela nota do supermercado, os peritos concluíram que o padre havia feito compras na sexta-feira.

 

De acordo com o delegado José Edson, diretor adjunto da Polícia Civil de Alagoas, os primeiros levantamentos dão conta que os criminosos se lavaram e também lavaram as mãos antes de deixar a casa do padre Guimarães.

 

Para Dom Antônio Muniz, a morte do padre Guimarães mostra o quanto a sociedade alagoana está desprotegida. "Estamos perplexos, não somente o clero, mas toda a sociedade alagoana", afirmou o arcebispo. Já o secretário Paulo Rubim não quis comentar o crime e disse preferir que o delegado Robervaldo Davino se pronunciasse quando achar necessário, já que cabe a ele investigar o assassinato do religioso.

 

Ordenação

 

Guimarães ordenou-se padre na Igreja de São José, em Maceió, no dia 14 de dezembro de 1992. Atualmente, ele era o pároco da Matriz de Nossa Senhora das Graças, em Murici. Recentemente, Guimarães também se formou em jornalismo.

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