Paes diz que demitirá médico que faltou a plantão no RJ

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), disse nesta quarta-feira que demitirá o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves por ter faltado ao plantão em que estaria trabalhando na noite do dia 24 e na madrugada do dia 25, natal. além disso, afirmou que a partir de janeiro determinará que todos os hospitais da cidade tenham controle biométrico de ponto dos trabalhadores para evitar que "maluquices" como esta voltem a acontecer. As unidades terão seis meses para fazer a adaptação.

CÉLIA FROUFE, Agência Estado

26 Dezembro 2012 | 19h37

Na madrugada do dia 25, a garota Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos, aguardou para ser atendida por 8 horas no Hospital Municipal Salgado Filho, no Meier. Atingida na cabeça por uma bala perdida durante as comemorações de Natal, numa favela na zona norte do Rio, a menina foi levada ao hospital, mas demorou para ser operada porque havia apenas um profissional de plantão, justamente o que faltou. A menina está internada em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade.

"Vou demitir esse médico, que é um irresponsável. Não dá para você estar escalado para um plantão e simplesmente não aparecer", afirmou o prefeito ao chegar ao Ministério da Fazenda, em Brasília. A demissão, de acordo com Paes, já foi determinada. Falta apenas ocorrer o trâmite legal para abertura de inquérito. "Acho até que ele tem de responder criminalmente por sua ausência", afirmou. Ainda há incertezas sobre se o neurocirurgião realmente faltou ao plantão porque, na terça-feira, ele afirmou à TV Globo que havia pedido demissão.

Segundo o prefeito, as críticas à existência de apenas um plantonista é uma forma que o sindicato da categoria encontrou para desviar a atenção do caso. "O sindicato dos médicos já começa com suas teses corporativistas para proteger esse delinquente", afirmou. "Esse médico é um irresponsável que merece pagar e tem de ser punido pelo que fez", continuou.

Conforme Paes, os hospitais do município estão em uma situação boa de atendimento. "Não é excepcional, mas é boa", disse. Ele relatou que nesta quarta teve conhecimento de um outro problema em um hospital por conta do atendimento a um paciente de Belford Roxo. "Temos exportação de doentes para a cidade do Rio de Janeiro vindo da região metropolitana", pontuou. A Polícia Civil do Rio, o Ministério Público Estadual e o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) vão investigar se Adrielly foi vítima de omissão de socorro.

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