Páginas censuradas são as mais vistas na estreia do Estadão Acervo na web

Internautas aprovam iniciativa do jornal, que colocou 137 anos de vida na internet; lançamento, na noite de quarta-feira, reuniu autoridades

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2012 | 03h07

O novo portal Estadão Acervo, com a coleção completa do jornal digitalizada desde seu primeiro número, em 4 de janeiro de 1875, lançado na noite de quarta-feira no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, fez enorme sucesso na sua estreia na internet. As páginas do Estado que foram censuradas durante a ditadura militar estiveram entre as mais procuradas ontem, juntamente com as de "Personalidades" e a seção história da década de 1870. A repercussão também foi grande no microblog Twitter.

Levantamento preliminar de audiência do Estadão Acervo apontou ontem, primeiro dia de exposição na web, 100 mil páginas vistas - uma média de 3.800 por hora. Com mais de 2,4 milhões de páginas digitalizadas disponíveis para pesquisa na web, o Estadão Acervo marca nova fase na oferta de conteúdo do jornal em seus 137 anos de existência, 132 anos de imprensa livre. No site, os leitores têm acesso a todas as coberturas realizadas desde a fundação do jornal.

O evento de lançamento reuniu e emocionou cerca de 650 convidados, entre políticos, empresários, artistas e diversas personalidades. Entre elas, a ministra-chefe da Comunicação Social, Helena Chagas, representando a presidente Dilma Rousseff. Helena é filha do jornalista Carlos Chagas, que trabalhou 16 anos no Estado. Também estiveram presentes o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito Gilberto Kassab e os ex-ministros José Serra (PMDB) e Fernando Haddad (PT), além de empresários, como Luiz Trabuco, do Bradesco, parceiro do Estado no projeto. Pelé e os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso gravaram depoimentos em vídeo.

História. A cerimônia mostrou um retrospecto não só do Estado, mas da história do País nos últimos 137 anos. Uma projeção multimídia com a linha do tempo destacou os principais fatos desde o tempo em que o jornal se chamava A Província de São Paulo até os dias atuais, intercalando depoimentos e apresentações de músicas marcantes de cada período (mais informações nesta página). A apresentação lembrou o surgimento da Agência Estado, do Jornal da Tarde, da Rádio Eldorado e de publicações marcantes, como os Suplementos Literário e Feminino.

Um dos pontos altos da festa foi a homenagem do jornal a seu mais antigo jornalista, o francês Gilles Lapouge. Com 61 anos de contribuição ao Estado, Lapouge é correspondente do jornal na França. Ele chegou ao Brasil em 1950 para ser redator de Economia, convidado pelo jornalista Julio de Mesquita Filho. "Sou um campeão de fidelidade a um grande órgão de imprensa, o Estado", disse Lapouge, emocionado, ao receber uma placa com a página na qual aparece o seu primeiro texto publicado no jornal.

Os convidados também puderam acessar páginas digitalizadas. "O acervo é uma possibilidade que nós, como leitores há décadas, temos para ver edições que antes só estavam disponíveis no arquivo físico", disse o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. Sua curiosidade foi pesquisar a edição de 11 de março de 1943, data da fundação do banco. "A primeira página só tinha notícias de guerra", constatou.

Leitor do Estado, desde criança, Alckmin contou que a notícia mais marcante foi ver seu nome na lista de aprovados para Medicina da faculdade de Santos, em 1971. "Quero ver tudo o que foi censurado na época da ditadura."

Na abertura da cerimônia, o diretor-presidente do Grupo Estado, Silvio Genesini, disse que o novo produto é um sonho que se iniciou há dois anos, "quando decidimos que a digitalização do acervo era um projeto alinhado com as estratégias e o futuro digital do grupo e, principalmente, que atenderia a um anseio de pesquisadores, historiadores, membros da comunidade acadêmica e da sociedade".

O diretor de Conteúdo, Ricardo Gandour, ressaltou que a família Mesquita sempre faz questão de lembrar que, dos 137 anos do jornal, 132 são de vida independente, "descontados os cinco anos em que o Estado permaneceu confiscado pela ditadura de Getúlio Vargas, de 1940 a 1945".

Gandour destacou que rever a história não é apenas contemplar o passado. "É constatar que o desenvolvimento do País esteve ligado ao progressivo aumento da liberdade de imprensa."

"Esta noite também é uma homenagem a todos que planejaram, conceberam, escreveram, fotografaram, ilustraram, imprimiram, distribuíram, administraram, ousaram", acrescentou Gandour. "Gente que, durante décadas, em sucessivas gerações e capitaneados pela família Mesquita, trabalhou para colocar e manter o Estado no topo da credibilidade e do prestígio no cenário da imprensa brasileira e mundial."

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