Pai do menino Bernardo pode ter sigilo bancário quebrado

A única certeza da polícia até o momento é a de que o cirurgião Leandro Boldrini tentou ocultar o crime; sua participação efetiva, contudo ainda é dúvida.

LUCAS AZEVEDO, Agência Estado

21 Abril 2014 | 15h29

Atualizada às 18h42   PORTO ALEGRE - Policiais que investigam a morte de Bernardo Boldrini, de 11 anos, em Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, devem usar informações bancárias para verificar o grau de envolvimento do pai do menino no assassinato. O cirurgião Leandro Boldrini, de 38 anos, está preso, assim como a madrasta, Graciele Ugulini, de 32, e a amiga dela, Edelvânia Wirganovicz, de 40, acusados do crime.

De acordo com o depoimento de Edelvânia à polícia, o assassinato de Bernardo foi planejado pela madrasta sem o conhecimento de Leandro. "Ele não sabia, mas, futuramente, ele ia dar graças de se livrar do incômodo, porque Bernardo era muito agitado", teria ouvido da madrasta do menino. A única certeza da polícia até o momento é que o médico tentou ocultar o crime. Sua participação efetiva, porém, ainda é dúvida.

A delegada que preside o inquérito do caso, Caroline Bamberg, pediu a quebra do sigilo bancário do trio. Isso porque Edelvânia disse ao depor que precisava de R$ 96 mil para quitar seu apartamento e acertara com Graciele o recebimento do valor para ajudar no crime - em um primeiro acordo, a promessa era de R$ 20 mil. A polícia quer saber se a quantia foi movimentada pelo trio.

"Era muito dinheiro, e não teria sangue nem faca, era só abrir um buraco e ajudar a colocar dentro o menino", disse Edelvânia à polícia. Se o dinheiro saiu da conta conjunta do casal, isso pode implicar Leandro no planejamento da ação. Segundo Edelvânia, do dinheiro prometido, apenas uma pequena parte, R$ 6 mil, lhe foi entregue.

'Benzedeira'. No dia 4, Bernardo foi levado a Frederico Westphalen, vizinha de Três Passos, onde morava, com a justificativa de visitar uma "benzedeira". Segundo Edelvânia, ela e Graciele, cujo apelido é Kelly, "mandaram ele deitar sobre uma toalha de banho cor azul e que Kelly aplicou na veia do braço esquerdo com uma seringa e ele foi apagando".

Nenhuma das duas conferiu se Bernardo ainda tinha pulsação ao ser enterrado. Ele foi despido e colocado na cova, feita dias antes por Edelvânia. Graciele jogou soda - para que o corpo fosse consumido mais rápido - e tapou Bernardo com pedras e terra. Segundo Edelvânia, Graciele confessou que pensava em matar o menino havia um tempo. Teria tentado asfixiá-lo - o que foi narrado por Bernardo a uma babá, que avisou a avó materna do garoto. Esta tentou ficar com a guarda do menino, mas a Justiça negou.

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