Pai, mãe e filha fazem exame no mesmo local

Na entrada da escola, pai, mãe e filha especulam sobre o tema da redação. Mas não é só para o tempo passar e a jovem se acalmar. Ali, cada um do trio tem sua caneta preta a postos. Todos querem uma vaga na universidade.

O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h01

"Fiz no ano passado, tomei gosto e tenho certeza de que desta vez irei melhor", diz Jonas Menezes de Lemos, de 53 anos. Motorista de uma empresa de engenharia civil, ele está cansado de só carregar engenheiros de um lado a outro. Quer se tornar um deles. "Não é tão difícil, porque não sonho com uma federal. Quero conseguir, pelo ProUni, uma vaga em alguma particular", diz o pai de Jéssyca.

A jovem de 21 anos já cursa Jornalismo em uma particular, mas não está satisfeita. "Quero fazer História na Unifesp, que fica pertinho de casa." Desta vez, ela acredita que vai conseguir. "No geral, é só prestar bastante atenção, porque os enunciados são enormes. Se aguenta o cansaço, já é meio caminho andado."

A mãe, Ivonilda Machado, de 50 anos, fez supletivo para terminar o ensino médio e descobriu que, se fizer Enfermagem, poderá cuidar melhor do filho deficiente. Mas ela sabe que este Enem pode ser apenas um treino. "Acho que os cabeçalhos das questões têm muitas palavras que confundem e ainda têm cinco respostas para encontrar a alternativa certa. Não é fácil, não."

Pouco antes das 13 horas, cada um vai para a sua sala com o combinado de que não ficaria "enrolando" para entregar a prova. Era preciso fugir do congestionamento causado pela multidão de moradores da zona leste que foram fazer a prova na zona sul. "Uma falta de planejamento isso. Deveriam considerar o local da residência", palpita o futuro engenheiro. / OCIMARA BALMANT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.