Painel indica medicar toda pessoa com HIV

Recomendação inédita foi feita em conferência nos EUA; atualmente, antirretrovirais não são indicados quando carga viral ainda é baixa

Los Angeles, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h03

Um painel internacional de saúde recomendou pela primeira vez que todos os pacientes com o vírus HIV sejam tratados com remédios antirretrovirais, mesmo quando o impacto do vírus no sistema imunológico se mostra pequeno.

A Sociedade Antiviral Internacional (IAS), entidade sem fins lucrativos, citou novas evidências de que a infecção com o vírus da imunodeficiência não tratada causa aids e pode levar a vários outros problemas, incluindo doenças cardiovasculares e renais. Além disso, dados mostraram que combater o HIV reduz o risco de uma pessoa infectada transmitir o vírus a outra.

"Não estamos mais apenas concentrados nas infecções tradicionais da aids. Sabemos que o HIV está danificando o corpo a todo momento em que não está controlado", afirmou Melanie Thompson, pesquisadora do Consórcio de Pesquisa do HIV em Atlanta e membro do painel da Sociedade Antiviral. As recomendações são globais, mas principalmente focada em países ricos, que podem cobrir os custos das medicações, afirmou.

As diretrizes foram publicadas no Journal of the American Medical Association no começo da Conferência Internacional de Aids 2012 da sociedade, que começou ontem e vai até sexta-feira em Washington.

Além dos estudos mostrando que a terapia com antirretrovirais reduz o risco de transmissão do HIV, testes mostraram um efeito protetor quando os remédios são usados por pessoas em risco e não infectadas com o vírus (mais informações nesta pág.).

"As drogas são convenientes, têm poucos efeitos colaterais e seus benefícios estão se tornando cada vez mais claros, tanto para as pessoas infectadas quanto do ponto de vista da saúde pública", disse Paul Volberding, diretor do Centro de Pesquisa de Aids da Universidade da Califórnia e outro membro do painel.

Tratar mais cedo. Em 2008, o mesmo painel da IAS recomendou que a terapia com antirretrovirais deveria começar quando o número de linfócitos CD4 (células do sistema imunológico) da pessoa infectada atingisse 350 células por ml de sangue - o que hoje é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em geral, trata-se o paciente assintomático com drogas antiaids apenas quando há menos de 250 ou 200 células CD4 por ml de sangue. Um adulto saudável tem entre 500 e 1,2 mil células CD4 por ml de sangue.

O início do tratamento costuma ser protelado para evitar a resistência do HIV aos remédios e seus efeitos colaterais. No entanto, segundo a IAS, novos medicamentos mais seguros permitem antecipar a terapia. / AGÊNCIAS

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