Pais católicos aceitam menos os filhos homossexuais na Itália

Segundo a pesquisa feita na Itália, os casos de reações violentas à homossexualidade dos filhos são raros

Ansa,

18 de junho de 2008 | 20h01

Uma pesquisa da Universidade de Piemonte mostrou que de cada dez pais de jovens homossexuais italianos, oito acreditam que o importante é que seus filhos sejam felizes, e sete lamentam não estar próximos do filho quando talvez eles mais precisam.   A fé é uma dificuldade a mais: os pais católicos são a maioria na Itália e "são os praticantes regulares, que são 40% dos pesquisados, os que se recusam a aceitar a homossexualidade do filho", disse a pesquisadora Chiara Bertone.   Segundo a pesquisa, os casos de reações violentas à homossexualidade dos filhos são raros e a família italiana, após alguns primeiros instantes de surpresa, costuma aceitar bem a novidade.    Foram entrevistadas 200 famílias de gays e lésbicas entre 14 e 22 anos. A pesquisa foi respondida por 119 mães e 53 pais, além de irmãos e irmãs. Dos entrevistados, 70% se declararam de esquerda, 4% de direita e 26% se divide entre centro-esquerda e centro-direita.   Em 64% dos casos, a descoberta da homossexualidade se dá quando o próprio filho decide declarar-se gay. Geralmente, a primeira pessoa a saber é a mãe, que depois conversa com o pai. Irmãos e irmãs também desempenham um papel importante, em muitos casos sendo os primeiros a dividir cumplicidade.   Para 53% dos pais e 44% das mães, a descoberta é inesperada e a primeira reação é de surpresa, medo e dor. Mas pouquíssimos pais confessaram ter reagido de modo violento à notícia: três mães deram um tapa em seus filhos e duas os expulsaram de casa, um pai disse que não era mais seu filho e duas mães chamaram os filhos de "pervertidos". Quase todos recusam a idéia da homossexualidade como uma doença.   Depois do choque inicial, prevalece o amor e a solidariedade e as famílias declararam sentir-se "liberais" e "cúmplices", desejando aos filhos um "parceiro estável" e uma "vida afetiva gratificante".   Apesar do desejo de normalidade, os pais entrevistados declararam saber muito bem que seus filhos deverão enfrentar uma sociedade hostil e muitos exprimiram o desejo de que seus filhos fossem viver no exterior, em um contexto de maior aceitação e reconhecimento dos direitos.    A pesquisa concluiu que a Igreja Católica é considerada uma das principais responsáveis pelo clima de homofobia que envolve a vida das famílias com homossexuais, já que exprime duras opiniões, seguindo a posição do Vaticano em relação à homossexualidade.

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