País reduz distância entre indicadores das cidades

Ao longo de 20 anos, o Brasil conseguiu reduzir a distância entre os indicadores das cidades com maior e menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado nesta segunda-feira, 29, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e a Fundação João Pinheiro. Embora tenha conseguido atenuar as disparidades ao longo de duas décadas, as desigualdades dentro do País ainda são expressivas.

RICARDO DELLA COLETTA, Agência Estado

30 de julho de 2013 | 13h33

A diferença entre a cidade com maior IDHM no Brasil e a pior avaliada, no quesito renda mensal per capita, por exemplo, chega a quase R$ 2 mil. Enquanto São Caetano do Sul (SP) tem uma renda mensal por habitante de R$ 2.043,74, Marajá do Sena (MA), no outro extremo da tabela, tem renda mensal per capita de apenas R$ 96,25: ou seja, 21 vezes menor.

Ainda imenso, o fosso entre os municípios com maior e menor renda no País já foi muito maior. Os dados do último Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, referentes ao ano 2000, revelam que há uma década o abismo entre os dois extremos do ranking era de 28 vezes. Naquele ano, Águas de São Pedro (SP) tinha renda per capita de R$ 1.759,76 e Jordão (AC), de R$ 62,65. Em 1991, no primeiro Atlas, a renda per capita da cidade melhor posicionada chegou a ser 35 vezes maior do que a da última colocada.

"Uma das coisas que percebemos é que, tanto nos municípios quanto nas Unidades da Federação, os maiores avanços se deram entre quem tinha o pior desempenho", resume Marco Aurélio Costa, coordenador do Atlas pelo Ipea. Houve redução da desigualdade por conta do avanço relativamente maior do quem estava em baixo".

Esperança de vida

Outro componente que expressa o avanço dos municípios com pior pontuação é a longevidade, item medido a partir da esperança de vida ao nascer de uma determinada localidade. Os dados do IDHM referentes a 2010 mostram que uma criança nascida nas catarinenses Blumenau ou Brusque têm a maior expectativa de vida do País, de 78,64 anos. Essa pessoa vive, em média, 13,34 anos a mais do que um cidadão de Cacimbas (PB) ou de Roteiro (AL), donas da menor esperança de vida do Brasil (65,3 anos).

Há 20 anos, no entanto, as duas pontas da tabela eram separadas por mais de 25 anos. Em 1991, a expectativa de vida em São José da Tapera (AL), a pior do País à época, era de 50,97 anos. Em Cunhataí e em Guabiruba, ambas em Santa Catarina, a realidade era bem diferente e o número chegava a 76,61 anos. Em 2000, a distância entre os dois extremos da tabela, para a longevidade, era de 19,78 anos.

Segundo o pesquisador do Ipea, um dos fatores que contribuiu para essa redução das disparidades, no quesito longevidade, foi a queda nas taxas de mortalidade infantil. "(A mortalidade infantil) se concentrava nos estados com pior desempenho. Alagoas e Maranhão tinham dados muito ruins de mortalidade infantil". O cálculo do IDHM é composto por três variáveis: renda, longevidade e educação.

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