País tem de gerar ''uma Inglaterra'' por ano

Em 2008, a China teve de construir 90,5 GW de geração, mais do que os 79 GW dos britânicos

, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Com 20% da população do planeta e um ritmo de crescimento que se mantém alto mesmo em tempos de crise global, a China tem de aumentar a sua geração de energia a cada ano, numa extensão que supera toda a capacidade instalada da Inglaterra.

Só no ano passado a China teve de construir 90,5 gigawatts (GW) de geração, mais que os 79 GW de capacidade total dos britânicos. O país asiático já é o segundo maior consumidor de energia do mundo e, em breve, vai superar os Estados Unidos.

De 2006 a 2030, a capacidade de geração da China deverá passar de 518 GW para 1.510 GW. No mesmo período, os americanos aumentarão sua oferta de energia de 959 GW para 1.201 GW, segundo o International Energy Outlook de 2009, editado pelo governo do país.

Maior poluidor do mundo, a China também tem a maior capacidade instalada para produção de energia renovável - 76 GW -, graças principalmente a pequenas hidrelétricas, que produziam 60 GW, segundo dados relativos a 2008.

O grande problema é que 70% da energia gerada no país vêm do carvão, de longe o mais poluente dos combustíveis fósseis. O China Greentech Initiative estima que a média mundial de participação do carvão na matriz energética não chega a 30%. Apesar da importância que as tecnologias verdes ganharam no planejamento estratégico de Pequim, o país continua a construir a cada semana duas termoelétricas geradas a carvão com capacidade de 500 megawatts (MW) cada uma. Do total de emissões da China, 80% vêm da queima de carvão.

O ritmo de crescimento do país, aliado ao uso de combustíveis poluentes, tem impacto que ultrapassa suas fronteiras. Segundo o World Watch Institute, a China respondeu por 57% do aumento nas emissões de gases que provocam o efeito estufa de 2000 a 2007.

As autoridades de Pequim sabem que esse ritmo é insustentável e, por isso, elevaram o desenvolvimento de fontes renováveis de energia ao topo de suas prioridades. Além de expandir a geração eólica e solar, a China investe em biomassa e planeja aumentar a capacidade de geração dessa tecnologia de 2 GW para 30 GW em 2020.

Também continuará a construir hidrelétricas de pequeno, médio e grande portes, com o objetivo de produzir 300 GW em 2020, comparados a 117 GW de 2005. Mesmo com o investimento em tecnologias verdes, o carvão continuará a ser o principal pilar da produção de energia do país nos próximos anos.

A China cresce a uma média anual de 9,6% há três décadas e a maioria dos analistas espera que mantenha um ritmo de 8% ao ano por pelo menos mais dez anos. Essa expansão é acompanhada de um maciço processo de urbanização, com a construção de prédios e infraestrutura de transportes, telecomunicações, iluminação e saneamento.

Apesar do crescimento dos últimos 30 anos, 55% da população chinesa ainda vivem na zona rural. A expectativa é que o indicador atinja 75% em 2050, o que significará mais 500 milhões de pessoas nas cidades, quase três vezes o total de habitantes do Brasil. Esse colossal processo de urbanização exigirá 40 bilhões de metros quadrados de área construída até 2025, o que duplicará a extensão das construções em relação a 2025, segundo a consultoria McKinsey.

A urbanização e o crescimento da renda levarão ao aumento do consumo e das emissões per capita dos chineses, que hoje equivalem a um quarto da dos americanos. A China assumiu em 2006 a liderança no ranking dos países que mais emitem gases que provocam efeito estufa, mas cada um de seus habitantes polui muito menos que um morador dos EUA. Em 2007, a emissão per capita do chinês foi de 5,1 toneladas, ante 19,4 toneladas do americano.

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