País tende a ser grande exportador de petróleo

Petrobrás já é a sexta maior fornecedora do combustível dos EUA

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2009 | 00h00

Depois de um susto em 2008, o Brasil retomou a autossuficiência na produção de petróleo este ano e tende a se consolidar como grande exportador nos próximos anos. A Petrobrás já ultrapassou a marca de 500 mil barris de petróleo exportados por dia e é hoje a sexta maior vendedora de petróleo para o mercado norte-americano. O crescimento das exportações vai provocar mudanças na área de comércio exterior de petróleo derivados da companhia.

A retomada da autossuficiência é fruto do crescimento da produção nacional, em torno de 7%, sem acompanhamento equivalente do mercado de combustíveis - que deve fechar o ano com alta de apenas 2%. Em 2008, dois anos após a conquista da autossuficiência, o Brasil voltou a ser importador líquido de petróleo e derivados, com cerca de 3 milhões de barris a mais do que os 158 milhões de barris exportados, movimento causado pelo aquecimento da economia.

Este ano, dados coletados até agora pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que haverá grande folga nas exportações. Até outubro, o Brasil exportou 241, 1 milhões de barris de petróleo e derivados, uma média de 795,9 mil barris por dia. As importações somaram 202,8 milhões de barris, ou 669,3 mil barris por dia. O bom desempenho foi provocado pela alta de 41,4% nas exportações de petróleo cru, que chegaram a 534 mil barris por dia.

Já as importações de petróleo e derivados caíram durante o ano, em 6,2% e 15,5%, respectivamente. O Brasil é importador de petróleo leve, que é misturado ao pesado óleo nacional nas refinarias para a produção de combustíveis de maior valor, como gasolina e diesel. As importações de petróleo cru somam 398 mil barris por dia, em média, nos dez meses do ano.

"Contando apenas o petróleo cru, o Brasil será expressivamente autossuficiente em 2010", diz o analista de petróleo da consultoria Tendências, Walter de Vitto, lembrando que há novos projetos de produção em desenvolvimento, como Parque das Conchas e Frade - que já estão em operação, mas atingem a capacidade máxima no ano que vem -, Cachalote e Tupi. Essas duas últimas terão, somadas, capacidade para produzir 200 mil barris por dia.

"Vamos ter um crescimento muito significativo de produção. O mercado vai crescer também, mas em menor escala. Essa é uma tendência geral daqui pra frente", concorda o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Segundo ele, a Petrobrás fechará 2009 com superávit financeiro em sua balança comercial de petróleo, o primeiro na história da companhia - até setembro, o saldo positivo soma US$ 1,8 bilhão.

Costa diz que o petróleo brasileiro já não tem tanta diferença de preço em relação ao petróleo importado pelo País, de melhor qualidade. Isso porque os cortes de produção da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep) e problemas de produção no México e na Venezuela reduziram a disponibilidade de petróleo pesado no mercado internacional. "O petróleo pesado valorizou. O mundo precisa dele para produzir óleo combustível, bunker, asfalto."

Até pouco tempo atrás, a marca Marlim era sinônimo de petróleo brasileiro no mercado externo. Maior campo produtor do País até o ano passado, Marlim está perdendo espaço para Roncador (os dois estão na Bacia de Campos), que após a entrada das plataformas P-52 e P-54 tem a maior produção entre os campos brasileiros. Costa diz que a empresa tem vendido grandes volumes de Roncador no mercado internacional.

O aumento das exportações já levou a empresa a iniciar uma reformulação em sua área de trading, com capacitação de pessoal e reavaliação da logística e de procedimentos, diz Costa. "A gente vai sair de uma posição compradora para posição vendedora. E obviamente é mais complicado vender do que comprar", comenta. A estatal conta hoje com escritórios em Houston, Londres, Pequim e Cingapura, além de uma unidade no Japão, mais voltada para o etanol.

Por outro lado, o novo cenário expõe uma lacuna nos investimentos históricos no setor de petróleo brasileiro. "A capacidade de refino está no limite. Toda a capacidade adicional de petróleo terá de ser colocada no mercado externo", diz Vitto, da Tendências. Hoje, o Brasil tem capacidade para refinar 1,85 milhão de barris por dia. Na média do ano, a produção nacional de petróleo da Petrobrás está em 2 milhões de barris por dia.

A Petrobrás tem quatro grandes refinarias projetadas, mas a primeira delas, em Pernambuco, só deve começar a operar em 2012. Já a refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) inicia operações em 2013. As duas foram projetadas antes da confirmação do pré-sal e, por isso, planejadas para processar o óleo pesado da Bacia de Campos.

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