País teve 278 registros da doença em 2009

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que em 2009, último ano com informações disponíveis, 278 bebês nasceram com anencefalia no Brasil - e morreram na mesma data.

O Estado de S.Paulo

08 Abril 2012 | 03h02

A anencefalia é uma malformação embrionária que atinge cerca de 2 em cada 10 mil bebês. É caracterizada pela ausência encéfalo e da calota craniana e pode ser diagnosticada no 3.º mês de gestação - não há formação dos ossos do crânio e do cérebro.

Não há tratamento nem chance de sobrevivência para o bebê anencefálico - de acordo com a literatura médica. A maioria dos afetados não sobrevive ao nascimento. Aqueles que não nascem mortos, morrem algumas horas ou dias após o parto.

Em 2009, pesquisa da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) com a Universidade de Brasília (UnB) e o Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva, ligado à Unicamp, mostrou que mais de 80% dos ginecologistas brasileiros já atenderam grávidas de fetos anencéfalos. Nos últimos 20 anos, cada um desses médicos recebeu pelo menos seis mulheres nessa situação.

Na pesquisa, os médicos relataram que 85% das mulheres com o diagnóstico quiseram interromper a gestação. No entanto, afirmam que apenas 37% conseguiram autorização judicial. O restante recorreu a um aborto inseguro ou esperou até o fim. A amostra foi feita com 1.814 médicos no País, de um total de 15 mil.

Desde meados de 1990 ocorreram cerca de 3,5 mil autorizações judiciais no País. Estudo feito pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com pedidos de interrupção da gravidez que chegaram aos Tribunais de Justiça do País mostrou que em 54% dos pedidos a decisão foi favorável ao aborto, a pedido da mulher. Em outros 35%, o pedido foi negado. Nas demandas restantes, o feto morreu antes do processo ser analisado.

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