País volta a ser devedor em dólar no mercado interno

Leilões de contrato de swap feitos pelo governo levam o passivo cambial superar os ativos pela 1ª vez desde 2005

Reuters e Agência Estado,

24 Novembro 2008 | 15h00

A participação da dívida cambial do governo sobre sua dívida mobiliária interna total voltou a ser positiva em outubro após quase três anos, refletindo a estratégia do Banco Central de prover liquidez cambial ao mercado em meio à crise financeira global.   Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Tesouro Nacional mostram que no mês passado a participação da dívida cambial sobre a dívida interna total, incluindo os contratos de swap, ficou em 1,32%, frente a uma participação negativa de 2,35% em setembro.   Foi a primeira vez desde dezembro de 2005 que o passivo cambial do governo no mercado interno superou seus ativos e a reversão reflete os contratos de swap tradicionais ofertados pelo governo ao longo das últimas semanas, os quais correspondem a uma venda futura de dólares ao mercado.   O coordenador-geral da Dívida no Tesouro, Guilherme Pedras, afirmou que, apesar dessa reversão na dívida interna, o país segue sendo credor externo em dólar. "Temos reservas em dólar em volume elevado", afirmou Pedras a jornalistas.   Em outubro, mês marcado por forte volatilidade nos mercados globais, a dívida mobiliária federal interna cresceu 0,13% e alcançou o valor de R$ 1,226 trilhão. A variação refletiu um resgate líquido de R$ 13 bilhões em títulos e a apropriação de juros de R$ 14,5 bilhões.   No período, o Tesouro Nacional cancelou três leilões de títulos, reduziu o volume de papéis ofertados ao mercado e promoveu quatro leilões de compra e venda do papel prefixado NTN-F, operação que visava unicamente dar referência de preços aos investidores.   A parcela dos títulos prefixados - considerados melhores para o gerenciamento da dívida - caiu para 31,5% em outubro, ante 32,42% em setembro. Os papéis atrelados à Selic caíram para 35,93% em outubro, ante 39% no mês anterior, incluindo os contratos de swap. No mesmo período, a participação dos títulos corrigidos por índices de preços passou de 29,45% para 29,75%.   O Tesouro informou, ainda, que recomprou o equivalente a R$ 448,2 milhões em setembro e outubro em títulos da dívida externa. Segundo Pedras, o Tesouro aproveitou o fato de os preços dos papéis terem caído em meio à crise para elevar suas recompras, que no bimestre anterior haviam somado R$ 300,9 milhões. No acumulado do ano, as recompras somam até o momento um total de R$ 1,9 bilhão.   Dívida total   A dívida pública federal total (DPF), que inclui a dívida externa, subiu 0,77% outubro ante setembro, atingindo R$ 1,345 trilhão. Este crescimento mais forte está relacionado à alta de 7,90% no estoque da dívida externa em outubro, em função da desvalorização do real ante o dólar. A dívida externa em outubro ficou R$ 119,08 bilhões ante R$ 110,36 bilhões em setembro.

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