Países discutem socorro a agricultores prejudicados

Cooperativa da Europa calcula em R$ 1,4 bilhão os prejuízos até agora; UE considera devolver 30% do valor aos produtores

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2011 | 00h00

GENEBRA

A cepa da bactéria E. coli que assusta a Europa fez com que produtores rurais no continente perdessem 610 milhões (R$ 1,4 bilhão) nas duas últimas semanas, segundo a Freshfel, cooperativa europeia de legumes. Espanha ( 400 milhões) e Holanda ( 160 milhões) seriam os países mais prejudicados. A União Europeia considera devolver aos produtores 30% desse valor.

Hoje, a UE se reúne em caráter de emergência para definir e aprovar um plano de resgate para esses produtores, que deixaram de vender desde que a Alemanha os acusou de ser a origem do surto da bactéria.

Milhares de toneladas de legumes começaram a ser destruídas, diante da recusa dos consumidores e restaurantes de comprá-las, até que se saiba qual é a origem da bactéria. Só na Romênia, 1,5 mil toneladas de pepino foram destruídas ontem em Bucareste, mesmo após o legume ter sido inocentado.

No fim de semana, os chefes de governo José Luis Zapatero (Espanha) e Angela Merkel (Alemanha) conversaram sobre o assunto. Madri acusa a Alemanha de ter tirado conclusões precipitadas. Merkel admitiu que apoiará hoje a criação de um mecanismo de compensação, mas indicou que o dinheiro terá de vir de toda a Europa.

Segundo a porta-voz da UE, Pia Hansen, propostas concretas serão apresentadas hoje em Luxemburgo. "Houve uma queda no consumo em toda a Europa e a crise se tornou regional. Portanto, temos de encontrar uma solução regional", disse.

Jose Pozancos, diretor do Fepex, um grupo de exportadores de produtos frescos da Espanha, alertou que a queda nas vendas foi de 40% na primeira semana e, ontem, as vendas tinham parado. A região mais atingida é Almería, com 15 mil fazendas.

O pedido espanhol por compensações não será o único. Produtores da França e de outros países do bloco alegam que suas vendas também desabaram desde que a bactéria passou a fazer parte das manchetes dos jornais. Produtores da Alemanha, Holanda, França, Bélgica, Itália e Portugal querem compensações.

Restaurantes deixaram de oferecer saladas e supermercados acumulam produtos. "O impacto é profundo em toda a cadeia de distribuição", afirmou Philippe Binard, da Freshfel. Segundo ele, não são apenas os agricultores que perdem. Empresas que embalam os produtos e transportadoras das mercadorias também estão paradas.

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