Países pobres estão despreparados contra pandemia de gripe

A África ainda está preparada para uma pandemia da gripe H1N1, e países em desenvolvimento na Ásia e na América Latina precisarão de ajuda para conseguir remédios e vacinas para tratar a doença, disseram as principais autoridades de saúde do mundo na segunda-feira.

LAURA MACINNIS, REUTERS

18 de maio de 2009 | 19h07

Num discurso no congresso anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), o ministro da Saúde de Tonga disse que foi sorte o vírus H1N1 ter se espalhado primeiro entre os países mais ricos como os Estados Unidos, Canadá, Espanha, Inglaterra e Japão.

"De algum modo, alguém decidiu começar a pandemia nos países muito ricos... Isso nos ajudou a todos", disse o ministro Villiami Tangi. Países pobres não têm os médicos, os laboratórios e a capacidade de produzir vacinas para lidar com um surto da pandemia de maneira sofisticada", disse.

O enviado da Nigéria afirmou que os países africanos enfrentariam dificuldades significativas para responder a um surto da doença, incicialmente conhecida como gripe suína, que sintomas leves na maior parte dos pacientes, mas pode ser especialmente perigosa para portadores de HIV/Aids.

"Estamos longe de estar preparados. O continente africano precisa muito de apoio", disse numa reunião de altos funcionários e delegados na sede da ONU em Genebra.

A Tailândia pediu apoio do México, o epicentro do vírus recém-descoberto que matou 74 pessoas, no dia da abertura da Assembléia Mundial de Saúde, na qual o temor da gripe é o principal assunto em discussão.

"SOLIDARIEDADE"

O vírus se espalhou por 40 países e deixou o mundo à beira de uma pandemia, de acordo com a OMS, cujos laboratórios já confirmaram quase 9.000 pessoas infectadas. O surgimento do vírus gerou dúvidas sobre a oferta de remédios antivirais e vacinas.

"Uma pandemia de gripe é um exemplo extremo da necessidade de solidariedade ante um perigo comum", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

"Eu peço encarecidamente que vocês pensem em qualquer coisa que possa ser feita coletivamente para impedir que os países em desenvolvimento sejam novamente os mais afetados pelo contágio global", disse Chan na Assembléia Mundial de Saúde.

Especialistas da área de saúde temem que o inverno no Hemisfério Sul se torne um terreno fértil para que o novo vírus se espalhe em países pobres, ao mesmo tempo em que lidam com a temporada de gripe.

No passado, países em desenvolvimento como a Indonésia já protestaram contra o uso de espécimes biológicos para produzir injeções patenteadas que são vendidas a preços inacessíveis.

Tanto os EUA como o Canadá prometeram ajudar os países mais pobres a combater o vírus à medida que ele continua a se disseminar. A assistência se dará por doações financeiras à OMS e por meio de auxílio técnico aos países que precisam de diagnósticos ou de outras formas de ajuda.

Tudo o que sabemos sobre:
GRIPEOMSPOBRES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.