Países ricos são maior alvo de reunião climática da ONU

Países desenvolvidos deveriam coratra suas emissões até 2050 em 75%, diz o economista Nicholas Stern

DEBORAH ZABARENKO, REUTERS

31 Julho 2007 | 21h21

A primeira sessão especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a mudança climática, na terça-feira, se voltou para a necessidade de os países ricos, tradicionais poluidores, arcarem com um ônus maior na redução das emissões de gases do efeito estufa. O economista britânico Nicholas Stern disse que os países pobres e em desenvolvimento também precisam participar de um "acordo global" contra o aquecimento. Segundo ele, que é autor de um importante relatório do ano passado sobre os efeitos econômicos da mudança climática, o mundo como um todo deveria ter como meta reduzir em 50%, até 2050, as emissões de poluentes como o dióxido de carbono de carros e usinas termoelétricas. "Por razões da responsabilidade passada e melhor acesso aos recursos, os países ricos precisam assumir objetivos muito maiores que esses 50%. Devem estar olhando para reduções de cerca de 75%", disse ele. Essa responsabilidade pode se estender ao financiamento de cortes nas emissões em outros países, segundo Stern, ex-chefe do serviço econômico do governo britânico e agora ligado à London School of Economics. Falando antes na ONU, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, adotou discurso semelhante. "Sabemos que os ganhos da prosperidade global foram desproporcionalmente desfrutados pelas pessoas nos países industrializados, e que as consequências da mudança climática serão sentidas desproporcionalmente pelos mais pobres, que são os menos responsáveis por isso - fazendo da mudança climática uma questão tanto de justiça quanto de desenvolvimento econômico." Sunita Narain, diretora do Centro para a Ciência e o Meio Ambiente da Índia, disse que "a liderança global é ótima em retórica, mas péssima em ação real quando se trata de cumprir o prometido a respeito da mudança climática". Os EUA, um dos maiores poluidores mundiais, não se manifestaram na sessão de terça-feira. O país rejeita repetidamente quaisquer metas obrigatórias para a redução dos gases do efeito estufa, alegando que isso afetaria sua economia. Washington defende limites voluntários às emissões.

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