'Palavra (En)cantada' relaciona poesia e MPB

Documentário ganha força nos depoimentos de artitas como Chico Buarque, Lenine e Caetano Veloso

REUTERS

12 de março de 2009 | 13h33

No documentário Palavra (En)cantada, a diretora carioca Helena Solberg (Vida de Menina) investiga a relação peculiar entre a poesia e a música popular no Brasil. O filme estreia em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.   Veja também: Trailer de 'Palavra (En)cantada'A tese de Palavra (En)cantada, que vai ganhando força nos depoimentos de vários artistas, é de que o país registra uma integração toda especial entre a poesia, gênero normalmente de consumo intelectualizado e restrito, e a canção popular, esta de ampla circulação. O fenômeno, segundo o professor e compositor José Miguel Wisnick, tem raízes históricas. Para outro músico e compositor, Lenine, a raiz da inspiração dos compositores brasileiros está lá atrás, nos trovadores medievais, que inspiraram os repentistas nordestinos. O escritor paulistano Ferréz, por sua vez, entende que o rap brasileiro vem diretamente do cordel nordestino. A cantora Maria Bethânia não vê uma fronteira tão rígida entre a poesia e as letras de música. Apaixonada pelos versos do português Fernando Pessoa, entre outros, ela não raro declama poemas, e não só dele, em seus CDs e mesmo em shows. Chico Buarque, que dá uma das entrevistas mais longas do filme, rejeita sistematicamente o rótulo de "poeta" que vivem lhe aplicando, por conta da sofisticação de suas letras. No seu entender, ele é mesmo apenas um compositor. Além destas conversas com artistas de formação tão distinta quanto o Lirinha do Cordel do Fogo Encantado, Tom Zé, Martinho da Vila, Jorge Mautner, Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero e BNegão, o documentário conta com diversas imagens raras, algumas inéditas. É o caso de uma encenação de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto, num Teatro Universitário em Nancy (França). E também de uma apresentação de Dorival Caymmi nos anos 40, cantando e tocando ao violão sua famosa canção O Mar. Igualmente curiosa é uma entrevista de Caetano Veloso nos bastidores de um festival da TV Record, em 1967, logo depois da apresentação de sua canção Alegria, Alegria. O cantor e compositor fala da "liberdade" dos baianos no uso da guitarra na MPB, um assunto que rendeu muita polêmica naquela época. (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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