Palavras de frade têm peso grande dentro da Igreja

Palavras de frade têm peso grande dentro da Igreja

Análise:

José Maria Mayrink, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2010 | 00h00

Por mais constrangedora que pareça a homilia do frade capuchinho italiano Raniero Cantalamessa, ao afirmar, citando um amigo judeu, que as denúncias de abuso sexual e de pedofilia na Igreja se comparam ao antissemitismo, suas palavras têm peso enorme, pelo cargo que ocupa no Vaticano. Ele falou na presença do papa, durante a celebração da Paixão de Cristo, com a autoridade de pregador da Casa Pontifícia, função para a qual foi nomeado em 1980 por João Paulo II e na qual foi mantido por Bento XVI.

A Casa Pontifícia, composta por numerosa equipe de eclesiásticos e leigos a serviço do papa, em organismos e departamentos que incluem, por exemplo, a Guarda Suíça, tem só um pregador oficial. É um teólogo que, desde Paulo VI, falecido em 1978, é escolhido exclusivamente na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos para pregar sermões e homilias nos tempos do Advento, da Quaresma e em ocasiões especiais, geralmente na presença do papa e de cardeais. Se é aprovado para o cargo, significa que é um homem respeitado por sua espiritualidade e ortodoxia doutrinária.

Frei Raniero Cantalamessa, de 75 anos de idade, foi ordenado sacerdote em 1958. Doutor em Teologia e em Literatura, foi professor de História das Origens do Cristianismo na Universidade Católica de Milão.

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