Palestinos publicam proposta de paz em jornais israelenses

Iniciativa marca 1ª vez que liderança palestina se dirige direto ao público israelense.

Guila Flint, BBC

20 Novembro 2008 | 10h00

Pela primeira vez na história do conflito entre israelenses e palestinos, a liderança palestina se dirige diretamente ao público israelense, publicando anúncios nos maiores jornais do país com os termos da iniciativa de paz da Liga Árabe. O anúncio, publicado nos jornais Yediot Ahronot, Maariv e Haaretz, apresenta a proposta de 57 países árabes e muçulmanos, de normalizar suas relações com Israel em troca da retirada dos territórios ocupados durante a Guerra de 1967, a criação de um Estado Palestino e a solução do problema dos refugiados palestinos. O departamento de negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) assina os anúncios, que ocupam páginas inteiras nos jornais israelenses e são ilustrados com as bandeiras de todos os países árabes e muçulmanos, exceto o Irã. A OLP, liderada pelo presidente palestino Mahmoud Abbas, é reconhecida mundialmente como a organização que representa não apenas os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, como também os cerca de 4 milhões de palestinos na diáspora. No entanto, o grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não reconhece a OLP como representante do povo palestino, pois não aceita os acordos de paz que a organização assinou com Israel. Eleições A campanha, dirigida pelo deputado árabe-israelense Ahmed Tibi, é vista como uma tentativa da liderança palestina de influenciar os resultados das eleições em Israel, marcadas para o dia 10 de fevereiro. Tibi, que foi nomeado por Mahmoud Abbas para dirigir a campanha publicitária, afirmou que Abbas "considera a iniciativa árabe de 2002 como o melhor mecanismo para solucionar o conflito e pensa que até agora o público israelense não teve oportunidade de conhecer os detalhes do plano". De acordo com Tibi, o presidente Abbas "acha necessário se dirigir diretamente ao público israelense para que ele conheça os detalhes dessa oportunidade histórica, que não recebeu atenção suficiente do governo de Israel". O ministro do Interior, Meir Shitrit, do partido de centro, Kadima, disse à radio israelense que "vale a pena considerarmos a iniciativa árabe, pois, pelo mesmo preço, podemos obter a paz com todos os países árabes e não só com os palestinos". Partidos de direita O general da reserva Danny Rotshild, presidente do Conselho para Paz e Segurança, afirmou que "a maioria dos israelenses deixou de acreditar na paz com os palestinos, mas se eles souberem que em troca dos territórios poderá obter também a paz com todo o mundo árabe, será mais fácil convencê-los a aceitar a idéia de concessões territoriais". Porém, as pesquisas de opinião divulgadas nesta quinta-feira, indicam que a maioria do público israelense apóia os partidos de direita, extrema-direita e ultra-ortodoxos, que são contra qualquer retirada dos territórios ocupados. A pesquisa, divulgada pela rádio pública de Israel, indica que, se eleições gerais fossem realizadas hoje, o bloco da direita obteria 69 das 120 cadeiras do Parlamento, e o bloco de centro e esquerda ficaria com apenas 51. As eleições em Israel foram marcadas para 10 de fevereiro. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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