Palmeira tem florada única e enfeita o Rio

Pela 1.ª vez, 12 Coryphas desabrocharam juntas

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

No ano do centenário de Roberto Burle Marx, a maior homenagem prestada ao paisagista foi da própria natureza: exemplares da palmeira Corypha umbraculifera floriram no Aterro do Flamengo, parque criado por ele e inaugurado em 1965, na zona sul do Rio. Essas plantas florescem apenas uma vez na vida, antes de morrer, e em idades diferentes. Pela primeira vez, 12 desabrocharam no mesmo período, segundo a Fundação Parques e Jardins (FPJ), órgão da prefeitura do Rio ligado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

"O Roberto se referia às Coryphas como "palmeira dos 100 anos", porque elas vivem cerca de 80 anos. Ele gostava muito dessa espécie e, quando perguntado porque havia escolhido uma planta que não veria florir, respondeu que era o presente que deixava para as futuras gerações", contou o diretor do Sítio Roberto Burle Max (SRBM), Robério Dias, que foi estagiário do paisagista.

A Corypha umbraculifera é espécie nativa do Sri Lanka e pode alcançar 25 metros de altura. Quando desabrocha, tem a maior inflorescência (nascimento de flores a partir da haste da planta) do reino vegetal.

Acima da copa das folhas em leque, surge uma nova copa de cerca de oito metros de diâmetros formada por 1,5 milhão de pequenas flores em tom palha.

"É um fenômeno belíssimo. Depois essas flores caem, e o chão fica coberto delas, formando um tapete amarelo claro", diz Flávio Telles, engenheiro florestal da FPJ, que anteontem fotografou as espécies já com as flores.

No Sítio Burle Marx as palmeiras levaram até dois anos e meio para morrer completamente. Quando isso acontece, ela se dobra. Mas a fundação deve remover as que floriram no Aterro cerca de cinco meses depois que as flores derem lugar aos frutos, para evitar acidentes no parque. A prefeitura vai repor as palmeiras.

"Temos algumas mudas no nosso horto, de cerca de um metro de altura, mas estamos fazendo uma busca em outros hortos para tentar localizar palmeiras já maiores. Quanto maior a planta, menor o risco de depredação", afirmou o diretor de Arborização da FPJ, David Lessa.

Robério Dias lembra que o desabrochar das palmeiras no centenário de Burle Marx não é a primeira coincidência envolvendo o paisagista e a espécie. "Uma Corypha floriu no sítio em agosto de 1994, uma semana depois da morte de Roberto", conta. "É muita coincidência".

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