Panteão das falcatruas

Muito do que nos foi, e continua sendo, ensinado nas escolas como História é apenas a perpetuação, pela repetição, de mitos, lendas ou simples mentiras, por ignorância ou ideologia de professores. Ou as duas.

, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2009 | 00h00

O caso mais emblemático é invenção do avião, que o orgulho nacionalista reivindica para Santos-Dumont. Embora inúmeros jornais e documentos históricos provem que já em 1903 os irmãos Wright fizeram voos de até 260 metros com seu Flyer I. Em 1905, os Wright voaram durante 39 minutos, com o Flyer III, percorrendo 38 quilômetros, diante da imprensa e de convidados internacionais. E obtiveram a patente do invento, iniciando a sua comercialização. Só um ano depois, em 1906, Santos-Dumont conseguiu voar 220 metros com o 14-Bis. É chato, mas é verdade.

É um dos melhores capítulos do contundente Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, do jornalista Leandro Narloch, que contrapõe sólida bibliografia e farta documentação a algumas das maiores falcatruas que estão se perpetuando na nossa história oficial, pela ação do politicamente correto e da militância ideológica.

Muita gente bem-intencionada, e mal informada, vai se decepcionar ao saber que os maiores exterminadores de índios no Brasil foram... os próprios índios, em suas infindáveis guerras entre tribos e como força auxiliar dos portugueses e dos bandeirantes em expedições para aprisionar índios. Os bons selvagens não eram bons assim.

Sim, alguns dos maiores mercadores de escravos eram negros. Os que mais lutaram contra a abolição da escravidão, liderada pela Inglaterra, foram os reinos africanos, que lucravam com ela. O Aleijadinho como personagem de ficção. Verdades vergonhosas sobre a Guerra do Paraguai. O objetivo da luta armada dos anos 70 não era a liberdade, mas a "ditadura da classe operária". São algumas das muitas falcatruas que o livro desmoraliza com a verdade histórica, baseado em autores e fontes de diversas origens.

São histórias desagradáveis, mas necessárias. Algumas divertem pelo ridículo, outras constrangem. Mas não nos fazem piores ou melhores do que somos. A quem queremos enganar?

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