Pão do bom, manteiga, azeite. Para que mais?

Antes de qualquer comentário, eu quero declarar que sou um partidário dos couverts mais despojados. Bom pão, manteiga, azeite. Precisa mais? Couvert aplaca apetites mais urgentes e ajuda a suportar a espera por entradas e itens principais. E, no meu caso, isso é importante para que eu não ataque a comida num estado irracional de fome (o que não é a situação ideal para uma avaliação). Mas, continuando, prefiro o couvert básico ao extremamente completo - que, a meu ver, acaba concorrendo com as entradas. Lógico que, num restaurante português, digamos, é ótimo quando vem bolinho de bacalhau. Ou chips crocantes de mandioca, batata-doce e afins, nos restaurantes peruanos. Fica difícil recusar. Porém, neste momento em que a tal lei do couvert faz dois anos, tenho visto uma clara opção pela simplicidade, especialmente entre os novos restaurantes, e por preços muitas vezes abaixo dos R$ 10. Em outros casos, mais raros, alguns até servem pão e manteiga de graça. Mas não são poucos os exemplos, por outro lado, de casas que simplesmente aboliram essa etapa, recomendando de cara petiscos e entradas. Minha impressão - e o que digo se baseia mais em experiência cotidiana do que em aferição científica - é que a lei, no fim, deixou os comensais mais seguros para dizer não ao garçom. Como se já não pudessem fazer isso, sem necessidade do aval das autoridades. Só que minha interpretação pessoal da lei continua a de sempre: se o couvert parece bom, e você está com vontade, peça; caso contrário, dispense.

Comentário: Luiz Américo Camargo, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2013 | 02h15

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