Papa abençoa doentes em Lourdes na despedida da França

Cerca de 60 mil idosos e doentes em macas e cadeiras de rodas assistiram à missa final de Bento XVI

TOM HENEGHAN, REUTERS

15 de setembro de 2008 | 12h06

O Papa Bento XVI ungiu e orou por dez doentes, nesta segunda-feira, 15, durante, sua missa final no santuário de Lourdes, no norte da França, cujas águas têm a reputação de realizar curas milagrosas.     Veja também: Manifestantes protestam contra visita do papa à França Bento XVI reza missa para dezenas de milhares em Lourdes  Em Paris, papa pede que França cultive Deus na sociedade  Bento XVI é recebido por Sarkozy em visita à França  Visita do papa a Lourdes será transmitida pela internet  Papa rezará pela paz mundial perante Nossa Senhora de Lourdes Pacientes em macas e idosos em cadeiras de rodas, muitos agasalhados com cobertores contra o frio da manhã, se juntaram a uma platéia estimada em mais de 60 mil fiéis do lado de fora da basílica, construída sobre a gruta onde se diz que a Virgem Maria teria aparecido em 1858. Embora Lourdes seja conhecida pelos 67 milagres que a Igreja Católica diz que ocorreram, Bento XVI não fez menção a eles em seu sermão de devoção a Maria. A unção com óleo consagrado objetiva trazer a cura espiritual, disse ele. "Cristo não cura no sentido mundano", explicou o pontífice nascido na Alemanha em seu sermão. "A presença de Cristo chega para romper o isolamento induzido pela dor. O homem não carrega mais seu fardo sozinho." Entre os dez enfermos que ungiu, Bento XVI se dirigiu a oito em francês, um em inglês e um em alemão. Somente três estavam bem o suficiente para caminhar sem ajuda e se ajoelhar diante do papa enquanto este lhes aplicava óleo na testa e nas mãos. Bento XVI voltou para Roma depois da missa, ao final de uma visita de quatro dias durante a qual estimulou um papel maior para a fé na vida pública francesa e disse aos bispos do país que abram mais espaço em suas igrejas para católicos tradicionalistas. Seus apelos por mais tolerância na laicidade, a separação entre Igreja e estado que praticamente afasta a religião de questões públicas, ecoou os do presidente Nicolas Sarkozy, mas deu ensejo a críticas de secularistas que se opõem a mudanças. As missas do papa e as rezas durante a viagem de quatro dias, programada para comemorar o 150 aniversário da aparição da Virgem de Lourdes, exibiram toques do catolicismo mais tradicional que Bento 16 tem enfatizado em seu papado. Em comparação às missas celebradas por seu antecessor João Paulo II, que visitou a região pela última vez em 2004, havia mais orações em latim. Mais objetos antiquados, como cálices e castiçais, foram usados durante a liturgia. Os bispos franceses estiveram entre os mais críticos de um decreto do ano passado pelo qual Bento XVI permitiu o uso mais frequente da velha missa Tridentina, o serviço em latim praticado há séculos e preferido pelos tradicionalistas da igreja.

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