Papa adverte para atual 3ª Guerra Mundial combatida 'em partes'

Pontífice visitou cemitério militar para lembrar os soldados mortos na Primeira Guerra Mundial, por ocasião do centenário do conflito

Efe

13 Setembro 2014 | 16h56

VATICANO - O papa Francisco afirmou neste sábado, 13, que se pode falar atualmente de uma terceira Guerra Mundial que acontece "em partes, mediante crimes, massacres e destruições" e invocou a paz para deter a "loucura" bélica.

O pontífice fez estas afirmações durante a homilia pronunciada no cemitério militar de Fogliano Redipuglia, que visitou para lembrar os soldados mortos na Primeira Guerra Mundial por ocasião de seu centenário, e as vítimas de todos os conflitos bélicos.

"Hoje, após o segundo fracasso de uma guerra mundial, talvez possamos falar de uma terceira guerra combatida 'em partes', com crimes, massacres, destruições", afirmou.

Francisco disse que a guerra é "uma loucura que cresce destruindo e estragando tudo, até a relação entre irmãos e o mais formoso que Deus criou, o ser humano".

Também lembrou que hoje em dia há muitas vítimas porque "na sombra" convergem "interesses, estratégias geopolíticas e ganância por dinheiro e poder", que frequentemente encontram justificativa na ideologia.

Ele criticou a indústria armamentista, "que parece ser tão importante", e a rotulou, junto de outros fatores, de "planificadores do terror" e de "organizadores do desencontro".

O papa também fez uma declaração contra a indiferença ao lembrar a resposta de Caim ao ser perguntado por Deus pelo paradeiro de Abel: "A mim me importa? Acaso sou eu o guarda do meu irmão?".

"Com coração de filho, de irmão, de pai", o papa pediu que a humanidade passe desse "A mim me importa?" para "o pranto, a reação contra o belicismo porque a humanidade tem necessidade de chorar, e esta é a hora".

Fogliano Redipuglia é uma cidade do nordeste da Itália próxima à fronteira com a Eslovênia que teve um dos mais violentos fronts da Primeira Guerra Mundial. Ali estão dois cemitérios em que jazem combatentes dos dois lados em conflito naquele front: o império austro-húngaro e a Itália. A intenção do papa foi a de invocar a paz e orar pelos caídos em todos os conflitos bélicos e simbolicamente visitou os dois cemitérios para honrar os soldados mortos de todos os lados.

Em seguida ele celebrou a missa no sacrário de Redipuglia, uma colossal arquibancada de pedra coroada por três cruzamentos construída a mando de Benito Mussolini em 1938 e que hoje em dia constitui o maior monumento aos caídos de guerra de todo o país.

Casamento coletivo. Neste domingo, o papa casará, pela primeira vez em seu pontificado, 20 casais da diocese de Roma, entre eles um formado por uma mulher divorciada e seu novo companheiro.

O ato vai acontecer na Basílica de São Pedro e junto ao papa estarão o cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, o vice-gerente Filippo Iannone e 40 sacerdotes amigos dos noivos.

Francisco, como bispo de Roma, já realizou outros sacramentos como a confirmação e a ordenação sacerdotal, mas esta será a primeira vez que presidirá um casamento desde que fora eleito papa, em março do ano passado. Deste modo, acentuará o papel da família na sociedade, onde, na sua opinião, "se aprende a conviver na diversidade e a pertencer aos outros e onde os pais transmitem a fé a seus filhos".

O ato tem especial relevância já que ocorrerá antes do Sínodo extraordinário de bispos sobre a Família que será realizado no Vaticano entre 5 e 19 de outubro e que deverá traçar a linha pastoral sobre esta instituição.

Entre os 20 casais, os mais jovens têm 28 e 25 anos enquanto os mais velhos têm 56 e 49. Ao término da cerimônia, após saudar o pontífice na sacristia, os recém-casados irão para os jardins vaticanos para tirar fotografia na Gruta de Lourdes e compilar assim o clássico álbum de casamento.

Não é a primeira vez que um papa oficia esta cerimônia já que o papa e santo João Paulo II casou várias famílias durante o Encontro Mundial da Família de 1994 e durante o Jubileu de 2000, além de oficiar outras tantas uniões de caráter privado.

O casamento é um dos aspectos mais abordados pelo papa Francisco durante suas homilias ao considerar que essa união atravessa "uma crise cultural profunda". Recentemente o papa reconheceu que "é preciso ter coragem para se casar hoje em dia" e em múltiplas ocasiões minimizou a importância das discussões de casal ao lembrar que "não se deve chamar à ONU" após uma rixa de casal.

Francisco chegou inclusive a convocar um evento no dia de São Valentim no qual participaram 20 mil comprometidos provenientes de múltiplos países de todo o mundo. Com sua habitual postura conciliadora, mostrou seu desejo de uma Igreja que "se aproxime" dos casamentos em crise e advogou por "não excluir" os cristãos divorciados.

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